Investigações da PF apontam suposta mesada e benefícios a Ciro Nogueira

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A Polícia Federal (PF) revelou indícios de um esquema de pagamentos mensais destinados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), que teriam variado entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. Segundo as investigações, os valores seriam provenientes de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O inquérito aponta que, além das transferências financeiras, o parlamentar teria sido beneficiado com custeio de viagens internacionais, hospedagens de luxo, uso de voos privados e acesso a imóveis de alto padrão pertencentes ao banqueiro.

Articulação legislativa e interesses do Banco Master

As apurações indicam que a contrapartida para as vantagens recebidas envolvia a atuação parlamentar de Ciro Nogueira em favor dos interesses de Vorcaro. Um dos pontos centrais da investigação é a Emenda nº 11, apresentada pelo senador à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 65, em agosto de 2024. O texto visava ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.

Documentos da PF sugerem que a redação da emenda foi elaborada por assessores do Banco Master e entregue diretamente na residência do senador. Interlocutores citados no inquérito afirmam que a aprovação da medida teria potencial para expandir significativamente os negócios da instituição financeira, gerando um impacto profundo no mercado, descrito pelos envolvidos como uma “hecatombe”.

Operações societárias e suspeitas de lavagem

Além das transferências diretas, a Polícia Federal investiga a aquisição de participação societária na empresa Green Investimentos S.A. por um valor abaixo do mercado. O senador teria obtido uma fatia avaliada em R$ 13 milhões pagando apenas R$ 1 milhão. A transação foi formalizada pela CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa administrada por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador.

Esses elementos compõem a representação enviada pela PF ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O material serviu de base para a deflagração da 5ª fase da Operação Compliance Zero, que busca desarticular o suposto arranjo funcional entre os investigados.

Medidas cautelares do Supremo Tribunal Federal

Ao analisar os dados, o ministro André Mendonça destacou a existência de comprovantes bancários, registros de viagens e trocas de mensagens que sustentam a tese de uma organização criminosa. O magistrado determinou que Ciro Nogueira está proibido de manter contato com outros investigados ou testemunhas do caso.

A decisão judicial também resultou na prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro e apontado como operador financeiro do esquema. Já o irmão do senador, Silva Nogueira Lima, foi proibido de deixar o país e deverá utilizar tornozeleira eletrônica, além de estar impedido de se comunicar com os demais envolvidos na Operação Compliance Zero.

Posicionamento da defesa

Em nota oficial, a defesa do senador Ciro Nogueira repudiou as acusações, classificando-as como ilações sobre sua atuação parlamentar. Os advogados reafirmaram o compromisso do senador em colaborar com a Justiça para esclarecer que não houve participação em atividades ilícitas. A defesa argumenta que medidas invasivas baseadas em trocas de mensagens podem ser precipitadas e defende um controle rigoroso de legalidade por parte das Cortes Superiores.

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