Ex-presidente do Banco Central e idealizador do Copom, economista Chico Lopes morre no Rio

meio de um comunicado da família. A unidade de saúde não informou a causa. “É co

O economista Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, amplamente reconhecido como Chico Lopes, faleceu nesta sexta-feira (8), no Rio de Janeiro. Aos 79 anos, o ex-presidente interino do Banco Central estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, localizado no bairro de Botafogo. A notícia de seu falecimento foi confirmada por meio de um comunicado oficial emitido por seus familiares, que destacaram a relevância de sua trajetória para o pensamento econômico nacional.

Trajetória acadêmica e atuação no setor público

Com uma formação acadêmica de elite, Chico Lopes consolidou sua base intelectual na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde se graduou em economia. Posteriormente, obteve o título de mestre pela Fundação Getulio Vargas e concluiu seu doutorado na prestigiada Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Sua carreira foi marcada pelo trânsito entre a academia e a gestão pública, tendo lecionado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e na Universidade de Brasília.

Sua atuação no governo incluiu uma passagem pelo Ministério da Fazenda em 1987. Entre 1995 e 1998, ocupou o cargo de diretor do Banco Central, culminando em sua nomeação como presidente interino da instituição entre janeiro e fevereiro de 1999, durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso. Foi um período de intensa turbulência, marcado pela transição do regime de câmbio administrado para o câmbio flutuante.

O legado institucional e a criação do Copom

Entre as contribuições mais significativas de Chico Lopes para a economia brasileira destaca-se a criação e a institucionalização do Comitê de Política Monetária, conhecido como Copom. O órgão foi desenhado para conferir maior rigor técnico, transparência e previsibilidade às decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic. O próprio economista defendia que a criação do comitê foi um passo fundamental para a consolidação do Plano Real.

O Banco Central, em nota oficial, ressaltou que Chico Lopes dedicou décadas de sua vida intelectual ao combate à inflação crônica que assolou o Brasil nas décadas de 1980 e 1990. Sua participação foi ativa em diversos planos anti-inflacionários, como o Plano Cruzado e o Plano Bresser. Para aprofundar sua trajetória, o Banco Central disponibilizou um depoimento autobiográfico detalhando sua vida pessoal e profissional.

Controvérsias e o sistema financeiro

A gestão de Chico Lopes no Banco Central também enfrentou momentos de alta tensão, especialmente durante a crise cambial de 1999. O economista esteve no centro de uma polêmica envolvendo o socorro financeiro aos bancos Marka e FonteCidam. A operação, que visava evitar um efeito dominó no sistema financeiro, gerou prejuízos à instituição e tornou-se objeto de investigação por parte da CPI do Sistema Financeiro.

Lopes sempre defendeu a legalidade de suas ações, argumentando que o objetivo central era prevenir uma crise sistêmica de maiores proporções. Após deixar o comando do Banco Central em março de 1999, sendo sucedido por Armínio Fraga, manteve-se ativo no debate econômico, inclusive através da fundação da consultoria Macrométrica.

Despedida e homenagens

O velório de Chico Lopes ocorre neste sábado (9), no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro. A cerimônia de despedida está programada para iniciar às 13h, com a cremação prevista para as 16h. O economista deixa a esposa, Ciça Pugliese, com quem compartilhou mais de 40 anos de vida, além de três filhos e sete netos.

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