A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) emitiu um alerta epidemiológico sobre o início da temporada de maior circulação de vírus respiratórios no Hemisfério Sul. O cenário atual indica uma tendência de aumento na transmissão da gripe, com predominância da variante K do vírus Influenza A(H3N2), além da elevação gradual dos casos de vírus sincicial respiratório (VSR) em diversos países, incluindo o Brasil.
Aumento da circulação viral e impacto hospitalar
O monitoramento realizado pela Opas aponta que o quadro na América do Sul é consistente com o início do período de inverno. Embora a atividade da Influenza tenha permanecido em patamares baixos no início do ano, o final de março marcou uma mudança, com a taxa de positividade para o vírus subindo para 7,4% no Brasil. O sequenciamento genético realizado pelo Ministério da Saúde revela que, dos testes analisados até o final de março, 72% corresponderam ao subclado K.
A preocupação das autoridades de saúde não se restringe apenas à variante K, mas também à possibilidade de picos de demanda hospitalar concentrados em curtos períodos. Com base na experiência recente do Hemisfério Norte, a Opas adverte que os sistemas de saúde devem se preparar para uma alta intensidade de atendimentos, o que pode colocar à prova a capacidade de resposta das unidades de saúde em todo o território nacional.
Sincronia de vírus e o desafio da síndrome respiratória
O Boletim Infogripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz, corrobora o alerta internacional ao confirmar o crescimento de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em todas as regiões brasileiras. Atualmente, 24 das 27 unidades federativas encontram-se em níveis de alerta ou risco, com 16 estados apresentando tendência de alta em longo prazo. A infecção viral foi confirmada em 44,3% dos mais de 46 mil casos notificados em 2026.
O VSR, em particular, tem antecipado seu padrão sazonal típico, gerando apreensão quanto ao impacto em crianças pequenas e grupos de vulnerabilidade. A circulação simultânea de Influenza A, VSR e casos remanescentes de Covid-19 cria um ambiente de pressão sobre os serviços de urgência e emergência, exigindo monitoramento constante das autoridades sanitárias.
Estratégias de prevenção e vacinação
A vacinação permanece como a principal ferramenta de controle e proteção contra formas graves da doença. A campanha nacional em curso prioriza grupos como idosos, crianças menores de 6 anos, gestantes e pessoas com comorbidades. Dados da Opas reforçam a eficácia do imunizante, que demonstrou proteção de até 75% contra internações em crianças durante a temporada de inverno no Reino Unido.
Além da imunização contra a gripe, o Sistema Único de Saúde disponibiliza a vacina contra o VSR para gestantes, visando a proteção de recém-nascidos contra a bronquiolite. A Opas reforça ainda a necessidade de medidas de higiene, como a lavagem frequente das mãos e a adoção da etiqueta respiratória, recomendando que indivíduos sintomáticos evitem ambientes coletivos para conter a propagação dos vírus. Para mais informações sobre o monitoramento, acesse o portal da Agência Brasil.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


