O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou alta de 2,73% em abril, atingindo o patamar mensal mais elevado desde maio de 2021. O indicador, amplamente reconhecido como a “inflação do aluguel”, sofreu influência direta das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que impactaram severamente os custos de produção e o preço dos combustíveis no mercado brasileiro.
Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram uma mudança significativa no cenário econômico. Após cinco meses consecutivos de deflação, o índice acumulou 0,61% em 12 meses, revertendo a trajetória de queda observada anteriormente.
Impacto da instabilidade geopolítica no custo de vida
A escalada dos preços está ligada ao conflito iniciado em 28 de fevereiro, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A região do Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde transita cerca de 20% da produção global de petróleo e gás, tornou-se o epicentro de um choque logístico que elevou as cotações internacionais das commodities.
O economista Matheus Dias aponta que o choque na oferta de petróleo reflete imediatamente no Brasil, visto que os derivados são negociados globalmente. A alta nos preços dos combustíveis, como a gasolina e o óleo diesel, gera um efeito cascata que encarece o transporte de cargas e, consequentemente, pressiona o valor final de diversos produtos de consumo imediato.
Pressão sobre produtores e consumidores
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), principal componente do IGP-M com peso de 60%, apresentou alta de 3,49% em abril. Este movimento foi impulsionado por um avanço de quase 6% no grupo de matérias-primas brutas e por repasses de custos em itens da cadeia petroquímica, como embalagens plásticas.
Para as famílias, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,94%. A pressão inflacionária foi sentida de forma aguda em itens essenciais. O óleo diesel registrou aumento de 14,93%, enquanto a gasolina subiu 6,29%. Alimentos como o tomate, com alta de 13,44%, e o leite tipo longa vida, com 9,20%, também contribuíram para o resultado negativo no orçamento doméstico.
Reajustes e o papel do IGP-M na economia
A relevância do IGP-M transcende a análise macroeconômica, servindo como base para o reajuste anual de contratos imobiliários e de diversas tarifas públicas. A metodologia da FGV considera a coleta de preços em sete capitais brasileiras, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, abrangendo o período de 21 de março a 20 de abril.
Diante da pressão inflacionária, o governo brasileiro tem buscado estratégias de mitigação. Medidas como a isenção de impostos e a concessão de subsídios a produtores e importadores de derivados de petróleo compõem o esforço atual para tentar conter a escalada de preços e proteger o poder de compra da população frente à volatilidade externa.


