A trajetória de Ruth Rocha, um dos nomes mais emblemáticos da literatura infantojuvenil brasileira, é o foco da 73ª edição da Ocupação do Itaú Cultural, em São Paulo. A mostra, inaugurada no dia 9 de maio de 2026, celebra não apenas os 95 anos da escritora, mas também o marco de cinco décadas desde a publicação de suas primeiras obras fundamentais, como Palavras, Muitas Palavras e o icônico Marcelo, marmelo, martelo, ambos lançados em 1976.
literatura: cenário e impactos
A exposição, que permanece aberta ao público até o dia 2 de agosto, funciona como um mergulho afetivo no universo criativo da autora. Através de uma curadoria que privilegia a interatividade, o espaço convida visitantes de todas as idades a explorar o acervo pessoal de Ruth, incluindo manuscritos, fotografias de família e registros audiovisuais que documentam sua vasta contribuição à cultura nacional.
Uma imersão interativa na obra de Ruth Rocha
O conceito da mostra foi desenhado para ser acessível e lúdico, funcionando como um grande brinquedo que estimula o contato físico com os livros. A disposição dos itens e a altura dos elementos foram pensadas para que as crianças possam interagir livremente com o acervo, que conta com cerca de 160 obras físicas disponíveis para leitura e manuseio.
A organização do espaço segue uma estrutura de dicionário biográfico, onde cada letra do alfabeto conduz o visitante a um aspecto diferente da vida e da obra da escritora. Na letra B, por exemplo, o público encontra referências ao livro Romeu e Julieta, utilizado para abordar temas como o racismo, enquanto a letra C traz um vídeo inédito de Ruth cantando ao lado de sua filha, Mariana.
Celebração do cinquentenário de Marcelo
Um dos pontos altos da exposição é a homenagem aos 50 anos de Marcelo, marmelo, martelo. A curadoria preparou um espaço dedicado ao personagem, onde o público pode encontrar o clássico carrinho de rolimã e participar de atividades que incentivam a criação de novas palavras, mantendo viva a essência inventiva do protagonista que questionava a lógica dos nomes.
A evolução visual do personagem ao longo das últimas cinco décadas também é exibida através de uma linha do tempo, que reúne edições ilustradas por diferentes artistas. Esse recorte permite observar como o trabalho de Ruth Rocha se manteve relevante e adaptável, atravessando gerações e mantendo seu poder de encantar novos leitores.
Memórias familiares e o processo criativo
A exposição dedica um espaço especial às raízes de Ruth Rocha, destacando a influência de seus pais e avós em sua formação literária. A relação próxima com a irmã, Rilda, de 97 anos, é representada por telefones de disco que, ao serem retirados do gancho, permitem que o visitante ouça narrações de histórias feitas pela própria autora, em uma alusão ao ritual diário de conversas entre as duas.
O ambiente intitulado Ruth para Ler completa a experiência, oferecendo um espaço de biblioteca com tatames e almofadas. Ali, os visitantes podem encontrar a máquina de escrever original da autora e seus cadernos de anotações pessoais. Mais informações sobre a programação podem ser consultadas diretamente no portal da Agência Brasil.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


