Fast Shop recebe multa histórica de R$ 1 bilhão do governo paulista por fraude e uso de dados

Silva Neto a partir de dados obtidos de forma ilícita, gerando vantagem indevida

Multa recorde de R$ 1 bilhão aplicada contra Fast Shop

O governo do estado de São Paulo aplicou uma penalidade financeira histórica contra a rede varejista Fast Shop. A empresa foi multada em R$ 1.040.278.141 após investigações conduzidas pela Controladoria Geral do Estado (CGE-SP) revelarem um esquema complexo de irregularidades tributárias. O montante representa a maior punição já registrada no país com base na Lei Anticorrupção, refletindo a gravidade das infrações cometidas contra o Tesouro estadual.

As apurações apontaram que a companhia obteve vantagens indevidas, interferiu diretamente em atividades de fiscalização e utilizou benefícios tributários de forma ilícita. O valor da multa corresponde exatamente ao montante que a empresa teria obtido de maneira irregular, configurando um prejuízo direto aos cofres públicos paulistas.

Esquema de fraude e uso de dados fiscais

O núcleo da investigação revelou que a Fast Shop contratou a empresa Smart Tax Consultoria e Auditoria Tributária Ltda. para atuar na recuperação de créditos de ICMS. A consultoria era operada por Artur Gomes da Silva Neto, um ex-auditor fiscal da Receita Estadual. O esquema utilizava informações privilegiadas e o certificado digital da própria rede de varejo para viabilizar as operações fraudulentas.

O governo estadual detalhou que a prática envolvia a chamada mineração de dados fiscais, permitindo a prospecção e homologação irregular de créditos tributários. A empresa tinha acesso a dados sigilosos aos quais não deveria ter permissão, utilizando esse conhecimento para blindar operações contra fiscalizações e facilitar processos tributários. Ao todo, os créditos analisados somaram R$ 1,59 bilhão, sendo que a parte considerada ilícita ultrapassou a marca de R$ 1,04 bilhão.

Desdobramentos da Operação Ícaro

A penalidade administrativa é um desdobramento direto da Operação Ícaro, deflagrada em 12 de agosto de 2025 pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). A ação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Recuperação de Ativos e Repressão aos Crimes de Formação de Cartel e Lavagem de Dinheiro (GEDEC), que investigou a fundo as conexões entre o setor privado e agentes públicos.

Além da multa bilionária, o caso gerou consequências na esfera criminal. Em 15 de setembro de 2025, foi homologado um Acordo de Não Persecução Penal entre o MPSP, dois sócios e um diretor estatutário da Fast Shop. Como parte desse compromisso, os envolvidos deverão pagar R$ 100 milhões a título de prestação pecuniária penal. Para mais detalhes sobre o combate à corrupção no país, consulte a Agência Brasil.

Medidas de prevenção e controle

Após a descoberta das fraudes, o GEDEC encaminhou à Secretaria de Estado da Fazenda e do Planejamento uma série de recomendações técnicas. O objetivo é aprimorar os procedimentos de ressarcimento de ICMS e fortalecer o sistema e-CREDAC. As sugestões focam na prevenção de novos riscos de corrupção e na implementação de controles estruturais mais rígidos para evitar que dados fiscais sejam acessados ou manipulados de forma indevida por agentes externos.

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