Desaceleração do IPCA-15 reflete novo cenário econômico
A prévia da inflação oficial brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), registrou alta de 0,41% em junho. Este resultado marca o segundo mês consecutivo de perda de fôlego do indicador, que havia atingido 0,89% em abril e 0,62% em maio. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam uma trajetória de arrefecimento, embora o acumulado em 12 meses tenha subido para 4,8%, ante os 4,64% observados no mês anterior.
O IPCA-15 funciona como um termômetro antecipado do cenário inflacionário nacional. A coleta de preços para este levantamento ocorreu entre 16 de maio e 16 de junho, abrangendo 11 localidades estratégicas do país. O índice é fundamental para o acompanhamento das metas de inflação estabelecidas pelo governo, que buscam um centro de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Impacto dos alimentos e da energia no custo de vida
Os grupos de alimentação e bebidas e habitação foram os principais responsáveis pela composição do índice em junho, respondendo por dois terços da variação total do IPCA-15. No setor de alimentação, embora a alta tenha persistido, houve uma desaceleração significativa na categoria de consumo no domicílio, que variou 0,87% em junho, contra 1,73% em maio.
Apesar da moderação geral, itens específicos como batata-inglesa, tomate, feijão-carioca e cebola registraram altas expressivas. O IBGE ressalta que, no acumulado do semestre, produtos como tomate, cenoura e batata-inglesa tiveram seus preços mais que dobrados, evidenciando a forte influência das condições climáticas sobre os custos de produção agrícola.
Bandeira tarifária e o setor de energia
No grupo habitação, a energia elétrica residencial foi o item com maior impacto individual na inflação de junho, registrando alta de 2,04%. Este aumento foi impulsionado pela implementação da bandeira tarifária amarela, definida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que adiciona custos extras a cada 100 quilowatt-hora consumidos.
A decisão pela cobrança adicional decorre da previsão de chuvas abaixo da média e do aumento do consumo, fatores que obrigam o acionamento de usinas termelétricas, cujo custo de operação é superior ao das hidrelétricas. Além disso, reajustes tarifários regionais em capitais como Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Salvador contribuíram para pressionar a média nacional do índice.
Dinâmica dos transportes e combustíveis
O setor de transportes apresentou um comportamento distinto, com recuo de 0,03% no índice geral. O movimento foi sustentado pela queda nos preços dos combustíveis, com destaque para o etanol, que caiu 5,30%, e a gasolina, com redução de 0,73%. O óleo diesel também seguiu a tendência de baixa, recuando 1,47% no período.
Em contrapartida, as passagens aéreas registraram um aumento de 7,24%, exercendo pressão contrária dentro do grupo. O mercado financeiro, por meio do Boletim Focus, segue monitorando esses indicadores para ajustar as expectativas de juros e o controle da inflação oficial, cujo resultado consolidado de junho será divulgado pelo IBGE em 10 de julho.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


