O Museu Nacional, localizado no Paço de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, celebra seu aniversário de 208 anos com a abertura de duas exposições inéditas ao público. A partir do dia 21 de junho, os visitantes poderão explorar seis salas do edifício histórico, que segue em processo de reconstrução após o incêndio ocorrido em 2 de setembro de 2018.
A iniciativa marca um passo importante na retomada das atividades presenciais da instituição. O acesso no domingo de abertura será livre a partir das 9h, enquanto nos demais dias a entrada permanece gratuita, mediante retirada de ingressos pela plataforma Sympla, com novas disponibilidades liberadas semanalmente às segundas-feiras, às 13h.
Reflexão artística sobre a memória e o rescaldo
A mostra individual Rescaldo das Memórias, assinada pelo artista Vik Muniz, ocupa o espaço onde o incêndio teve início. A exposição utiliza fotografias e esculturas criadas a partir de cinzas e fragmentos recuperados dos escombros do palácio. As vigas de aço retorcidas pelo fogo permanecem expostas, servindo como testemunhas silenciosas que convidam o público a refletir sobre a perda, a resiliência e a capacidade de reinvenção do museu.
Para Vik Muniz, o trabalho vai além da tragédia, focando naquilo que permanece e no que pode renascer. A exposição é complementada por instrumentos musicais produzidos pelo luthier Davi Lopes, que utilizou madeiras resgatadas do incêndio para criar peças que simbolizam a renovação. O conjunto reforça o papel da arte como ferramenta de cura e preservação histórica.
Bastidores da ciência e o futuro da instituição
A segunda exposição, intitulada Bastidores da Ciência, foi desenvolvida pelas equipes do museu e pelo Projeto Museu Nacional Vive. A mostra detalha o rigoroso trabalho científico e técnico necessário para a manutenção de uma instituição de pesquisa, abrangendo áreas como paleoarte, taxidermia, modelagem digital e conservação de acervos. O objetivo é aproximar o público dos processos invisíveis que garantem a longevidade do conhecimento científico.
O acervo em exibição inclui achados arqueológicos, ornamentos históricos restaurados e peças cedidas pelo Museu Sueco de História Natural. Esta última seção celebra o bicentenário das relações diplomáticas entre Brasil e Suécia. Segundo Ronaldo Fernandes, diretor do Museu Nacional/UFRJ, a união entre ciência e arte reafirma a vitalidade da instituição perante a sociedade.
Avanços no processo de reconstrução
O projeto de restauração do Paço de São Cristóvão apresenta números expressivos, com 75% das fachadas já recuperadas e 80% dos telhados concluídos. A infraestrutura moderna inclui sistemas avançados de proteção contra descargas atmosféricas e prevenção a incêndios, aprovados pelo Corpo de Bombeiros (RJ) e pelo Iphan. O restauro do bloco posterior e da Biblioteca Central segue em ritmo acelerado.
A instituição mantém um compromisso com a inclusão, oferecendo visitas mediadas em LIBRAS e horários exclusivos para pessoas com deficiência intelectual ou transtornos do neurodesenvolvimento. Para mais informações sobre o cronograma e agendamentos de grupos, os interessados podem consultar o portal oficial da Agência Brasil.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


