Inverno no Brasil será mais quente e menos rigoroso devido ao fenômeno El Niño

© Paulo Pinto/Agência Brasil

O inverno no Hemisfério Sul tem início oficial às 5h25 do próximo domingo (21). Embora a estação seja historicamente associada a temperaturas baixas, o cenário para os próximos três meses apresenta um comportamento distinto. A influência do fenômeno El Niño deve atenuar a sensação térmica de frio em grande parte do território nacional, conforme aponta um estudo recente da consultoria em meteorologia Nottus.

elnino: cenário e impactos

Impactos climáticos e a dinâmica das temperaturas

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas da região equatorial do Oceano Pacífico. A confirmação do fenômeno ocorreu após a elevação da temperatura do mar em 0,5 grau Celsius acima da média, dado validado pela Noaa. Esse aquecimento altera padrões de circulação atmosférica, resultando em um inverno com características mais amenas para o Brasil.

Segundo o meteorologista Alexandre Nascimento, a estação pode começar com registros de temperaturas baixas, mas a tendência é que o frio perca força a partir de agosto. A combinação de períodos de estiagem com ventos provenientes do Norte favorece a elevação gradual dos termômetros. Eventos de frio intenso ainda podem ocorrer, porém, tendem a ser rápidos e pontuais, intercalados por veranicos, que são períodos de tempo seco e calor atípico.

Distribuição de chuvas e riscos regionais

A configuração climática para os próximos meses aponta para uma distribuição desigual de precipitações. A Região Sul deve concentrar volumes de chuva acima da média, enquanto as regiões Norte e Nordeste enfrentam um cenário de chuvas mais escassas, elevando o alerta para possíveis períodos de seca. Em julho, o Sudeste e o Centro-Oeste também devem registrar volumes pluviométricos significativos.

Para o mês de agosto, a previsão indica maior concentração de chuvas no extremo norte e na faixa leste do Nordeste. Em contrapartida, áreas como Minas Gerais e Goiás iniciam a transição para o período seco. Apesar da previsão de chuvas elevadas no Sul, o meteorologista ressalta que não há, até o momento, indicadores de eventos extremos comparáveis aos desastres observados em 2024.

O desafio do Super El Niño e o setor elétrico

A preocupação das autoridades volta-se para a possibilidade de um Super El Niño entre setembro e fevereiro de 2027, quando a temperatura das águas pode superar 2,5 graus Celsius. O governo federal já estabeleceu uma Sala de Situação Interministerial para coordenar ações preventivas e gerenciar eventuais desastres naturais decorrentes da intensificação do fenômeno.

O sistema elétrico brasileiro, fortemente dependente de hidrelétricas, observa o fenômeno com cautela. Para 2026, a previsão é de um impacto positivo devido ao regime de chuvas. Contudo, o cenário para 2027 gera apreensão, visto que ondas de calor podem elevar o consumo de energia no primeiro trimestre, enquanto a redução das chuvas no Norte e Nordeste pode comprometer a geração hídrica. Mais informações sobre a matriz energética podem ser consultadas na Empresa de Pesquisa Energética.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias Recentes

Compartilhe como preferir

Copiar Link
WhatsApp
Facebook
Email