Lavagem de dinheiro via aluguel por temporada entra na mira de autoridades

© Silvia Bomm/prefeitura de Balneário Camboriú

A nova estratégia do crime organizado para ocultar patrimônio

Autoridades de segurança pública intensificaram o monitoramento sobre o uso de plataformas de aluguel por temporada para a lavagem de dinheiro. O esquema, que utiliza imóveis de curta duração para dissimular a origem ilícita de recursos provenientes de atividades como o tráfico de drogas e armas, tem desafiado a capacidade de fiscalização dos órgãos de controle.

Especialistas apontam que a facilidade de anunciar propriedades em aplicativos cria um ambiente de baixa transparência. Esse cenário permite que organizações criminosas transformem lucros ilegais em renda aparentemente legítima, dificultando o rastreamento do fluxo financeiro por parte das polícias e do fisco.

Investigações revelam uso de laranjas em operações imobiliárias

No Rio Grande do Sul, a Operação Litus, deflagrada em maio de 2025, expôs como grupos criminosos operam no setor. A investigação revelou que imóveis adquiridos com dinheiro de extorsões e homicídios eram registrados em nome de terceiros, conhecidos como laranjas, ou de companheiras dos líderes das facções, que não possuíam antecedentes criminais.

A análise de dispositivos móveis apreendidos foi crucial para desmantelar o esquema. Os investigadores encontraram registros detalhados de anúncios, comunicações com locatários e comprovantes de recebimento de valores, evidenciando a profissionalização do crime na gestão desses ativos imobiliários.

Desafios na cooperação entre plataformas e segurança pública

A eficácia no combate a essas práticas depende diretamente da colaboração entre as forças policiais e as empresas de tecnologia. Atualmente, a falta de convênios que permitam o cruzamento automático de dados entre investigados e anúncios ativos impede uma resposta mais ágil contra a ocultação de patrimônio.

O delegado Gustavo Bermudes destaca que, sem o acesso direto às plataformas, identificar a origem criminosa de um imóvel é uma tarefa complexa. Quando a polícia consegue comprovar o uso ilícito, as empresas costumam colaborar, removendo os anúncios, mas a dificuldade reside em detectar o crime antes que ele se consolide no mercado.

Fiscalização tributária e o papel do fisco

A Receita Federal também incluiu a locação de curta temporada em suas prioridades de fiscalização. Conforme o Relatório Anual de Fiscalização 2025-2026, o crescimento acelerado dessas plataformas exige novas estratégias para garantir a tributação correta dos rendimentos obtidos por pessoas físicas.

Para mitigar riscos, o órgão implementou orientações específicas no programa do Imposto de Renda. O objetivo é criar um ambiente de conformidade, onde a renda gerada por hospedagens temporárias seja devidamente declarada, facilitando a identificação de incompatibilidades patrimoniais que possam indicar atividades criminosas.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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