Saúde amplia atendimento a pessoas em situação de rua com novas unidades móveis

© Paulo Pinto/Agência Brasil

Expansão da rede de atendimento e novas unidades móveis

O Ministério da Saúde oficializou, nesta quarta-feira (24), o lançamento da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População em Situação de Rua. A iniciativa, apresentada na capital paulista, visa fortalecer a assistência oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a esse público vulnerável, aumentando a capilaridade das equipes de atendimento em todo o território nacional.

Com a nova diretriz, o país passa a contar com 392 equipes dedicadas, um incremento em relação às cerca de 300 unidades que operavam anteriormente com suporte ministerial. Além do reforço humano, o governo federal destinou um investimento de R$ 144 milhões para a implementação de 400 Unidades Móveis de Rua (UMR), cuja operação completa está prevista para o ano de 2027.

Estrutura e diretrizes de acolhimento no SUS

As novas unidades móveis funcionam como extensões adaptadas das unidades básicas de saúde, permitindo que profissionais cheguem diretamente aos locais onde a população se encontra. Esses veículos estão equipados para realizar consultas, coletas de exames laboratoriais, testes rápidos e procedimentos ginecológicos, além de oferecer curativos e ações de educação em saúde.

Uma mudança fundamental estabelecida pela política é a proibição de barreiras burocráticas no acesso aos serviços. Conforme determinado pelo ministério, o atendimento não pode ser condicionado à apresentação de endereço fixo ou restrito pela ausência do cartão SUS, visando garantir o direito constitucional à saúde sem discriminação.

Eixos estratégicos e combate ao preconceito

A política foi estruturada em sete eixos de atuação, que abrangem desde a assistência direta até o monitoramento de dados e a gestão participativa. Um dos pilares centrais é o enfrentamento à aporofobia, ao racismo e à LGBTQIA+fobia, promovendo estudos sobre como o preconceito impacta diretamente o bem-estar e o acesso aos serviços públicos.

O monitoramento será aprimorado pela inclusão obrigatória do campo “população em situação de rua” nos sistemas de cadastro do SUS. Além disso, a estratégia prevê protocolos de vigilância em saúde para proteger esse público contra os efeitos de eventos climáticos extremos, articulando ações de segurança alimentar e nutrição com outros setores governamentais.

Impacto social e participação comunitária

A construção da política contou com a valorização da participação das próprias pessoas em situação de rua. Para figuras como Daiane Cristina Rodrigues, que atua na Pastoral do Povo da Rua, a medida representa uma ruptura com o histórico de exclusão e negligência enfrentado nos serviços de saúde.

O padre Júlio Lancellotti reforçou que a presença de equipamentos móveis altera a dinâmica de interação do Estado com essa população. Segundo ele, a iniciativa substitui a lógica da repressão pela lógica do cuidado, permitindo que o sistema de saúde vá ao encontro de quem mais precisa, independentemente das condições de vulnerabilidade em que se encontram. Mais informações podem ser acompanhadas pelo portal da Agência Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias Recentes

Compartilhe como preferir

Copiar Link
WhatsApp
Facebook
Email