Queimadas geram prejuízo anual de R$ 17,6 milhões ao SUS em Mato Grosso

As queimadas que atingem a vegetação na Amazônia e no Cerrado mato-grossense impõem um custo social e financeiro severo ao país. Um estudo conduzido pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) revelou que a fumaça resultante desses incêndios gera um prejuízo anual de R$ 17,6 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS), valor decorrente do aumento expressivo nas internações por doenças cardiorrespiratórias.

queimadas: cenário e impactos

A pesquisa, que analisou dados coletados entre 2010 e 2021, estabelece uma correlação direta entre a exposição à poluição atmosférica e a demanda por atendimento hospitalar. O trabalho foi desenvolvido pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Unemat, em Cáceres, contando com a colaboração de especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Impacto financeiro e custos ao SUS

O levantamento classifica os gastos públicos com internações como uma externalidade negativa. Enquanto os lucros de atividades que estimulam o desmatamento ficam concentrados em setores específicos, o custo social da poluição é absorvido integralmente pelo Estado e pela população.

Para mensurar esse impacto, os cientistas cruzaram dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS com medições de material particulado fino (PM2,5). Essas partículas microscópicas, liberadas durante a queima da vegetação, penetram profundamente nos pulmões e na corrente sanguínea, agravando quadros de asma, bronquite, pneumonia e problemas cardiovasculares.

Regiões afetadas e o arco do desmatamento

O estudo concentrou sua análise no chamado Arco do Desmatamento, uma área marcada pela expansão da fronteira agrícola e pela supressão vegetal. Os municípios do nordeste mato-grossense, como Vila Rica, Confresa, Porto Alegre do Norte e Canabrava do Norte, figuram entre os mais impactados pela poluição.

Nessas localidades, uma parcela significativa das internações hospitalares foi diretamente vinculada à inalação da fumaça. A persistência desse cenário reforça a necessidade de integrar as políticas de meio ambiente com as estratégias de saúde pública para mitigar danos futuros.

Projeções climáticas e o alerta para 2026

O cenário para o segundo semestre de 2026 exige atenção redobrada das autoridades, conforme apontam institutos meteorológicos nacionais. A previsão de retorno do fenômeno El Niño indica uma redução no volume de chuvas, o que historicamente eleva o risco de secas prolongadas e incêndios florestais no Centro-Oeste.

Embora o ano de 2025 tenha apresentado uma queda nos focos de calor, os pesquisadores alertam que o planejamento antecipado é essencial. O estudo, que pode ser consultado em detalhes através de fontes acadêmicas como a Fiocruz, defende que a tradução dos efeitos da poluição em números é o primeiro passo para a formulação de políticas públicas eficazes contra os incêndios.

Fonte: olhardireto.com.br

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