Operação Gemini investiga suposta venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso

A Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal na segunda-feira, 8 de junho de 2026, trouxe à tona graves denúncias envolvendo o Poder Judiciário e o Legislativo estadual. A investigação apura um suposto esquema de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro, centrado no pagamento de R$ 1 milhão para o favorecimento de uma empresa madeireira em uma disputa por terras.

O caso, que tramitava no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), envolve o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil. As autoridades buscam esclarecer como o montante teria sido utilizado para influenciar decisões judiciais, movimentando um complexo sistema de ocultação de valores que alcançou diversos investigados.

Origem das investigações e o suposto esquema de corrupção

A apuração teve início após uma denúncia formalizada pelo presidente da Associação dos Trabalhadores Rurais da Gleba Santo Expedito, situada em Cláudia. O relato apontava que a Industrial Madeireira S.A. teria desembolsado R$ 1 milhão para reverter uma decisão de reintegração de posse que, inicialmente, era favorável aos assentados locais.

A Polícia Federal identificou que o processo, após ser julgado improcedente em primeira instância, seguiu para o gabinete de Dirceu dos Santos. A suspeita central é de que houve um direcionamento indevido na distribuição do recurso, ignorando as regras de competência interna do tribunal para garantir o resultado almejado pela empresa.

Afastamento e apurações sobre o patrimônio do magistrado

O desembargador Dirceu dos Santos já enfrentava um processo de afastamento determinado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) desde março de 2026. O órgão aponta que o magistrado teria utilizado intermediários para negociar atos jurisdicionais em troca de vantagens financeiras indevidas.

A quebra de sigilos bancários e fiscais revelou uma movimentação patrimonial de R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos. Esse volume de recursos é considerado incompatível com os rendimentos declarados, sendo que apenas no ano de 2023 a discrepância entre o crescimento do patrimônio e a renda lícita atingiu R$ 1,9 milhão.

Buscas, apreensões e desdobramentos da operação

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão em Mato Grosso e São Paulo, os agentes da Polícia Federal localizaram itens de alto valor e armamento. Entre os objetos apreendidos estão um fuzil, uma pistola, munições e um relógio da marca Rolex.

Além das apreensões físicas, a operação focou no afastamento dos sigilos telemáticos dos 10 investigados. O objetivo é mapear a rede de contatos e as transações financeiras que sustentam as denúncias de lavagem de dinheiro. Mais detalhes sobre o caso podem ser acompanhados diretamente pelo portal Olhar Direto.

Fonte: olhardireto.com.br

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