O setor varejista brasileiro registrou uma queda de 1,5% no volume de vendas durante o mês de abril, na comparação direta com março. O resultado interrompe uma sequência positiva de três meses consecutivos de alta e marca o desempenho negativo mais expressivo desde junho de 2022, quando o setor havia recuado 2,8%.
Os dados, que integram a Pesquisa Mensal de Comércio, foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com este cenário, o comércio nacional posiciona-se 1,5% abaixo do seu recorde histórico, atingido em março de 2026.
Impacto dos combustíveis no desempenho setorial
A retração foi disseminada entre as atividades pesquisadas, com seis dos oito grupos monitorados pelo IBGE apresentando queda. O setor de combustíveis e lubrificantes foi o principal responsável pelo resultado negativo, registrando uma baixa de 6,2% no período.
Este movimento reflete a pressão externa sobre os preços, sendo abril o segundo mês consecutivo sob influência direta do conflito no Oriente Médio. A instabilidade geopolítica tem forçado a elevação dos custos dos combustíveis em escala global, impactando diretamente o poder de compra e a logística interna.
Desempenho das atividades e o peso do varejo
Além dos combustíveis, outros segmentos também contribuíram para o recuo mensal. O setor de artigos de uso pessoal e doméstico apresentou queda de 4,6%, seguido por equipamentos de escritório e informática, com redução de 4,5%. Setores como móveis, eletrodomésticos, vestuário e artigos farmacêuticos também registraram variações negativas, embora em menor escala.
Em contrapartida, o segmento de hiper e supermercados, que detém a maior relevância na pesquisa ao representar 56,6% do comércio nacional, apresentou um crescimento de 1,3%. O setor de livros, jornais e papelaria também registrou alta de 1,1%, atuando como contraponto parcial à queda generalizada.
Contexto macroeconômico e varejo ampliado
Ao analisar o comércio varejista ampliado, que engloba atividades como veículos, motos e material de construção, a queda foi de 0,7% na passagem de março para abril. Apesar do resultado mensal negativo, o acumulado de 12 meses ainda aponta uma expansão de 1,5% para o setor.
O cenário do comércio contrasta com outros indicadores recentes da economia brasileira. Enquanto o varejo recuou, o IBGE reportou que a indústria cresceu 0,7% em abril, mantendo uma trajetória de quatro meses de alta. Da mesma forma, o setor de serviços avançou 1,2% no mesmo período, interrompendo um ciclo de seis meses de quedas consecutivas.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


