O desempenho da balança comercial brasileira apresentou resultados positivos em maio, consolidando um crescimento de 10,8% no superávit em comparação ao mesmo período de 2025. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), as exportações superaram as importações em US$ 7,823 bilhões no mês passado. Este montante marca o quarto maior saldo positivo para o mês de maio desde o início da série histórica, em 1989.
Dinâmica das exportações e o papel das commodities
O avanço no superávit foi sustentado principalmente pela força das exportações de soja e cobre. Em valores absolutos, a soja liderou o crescimento com um incremento de US$ 804,1 milhões, beneficiada por uma safra robusta e pela valorização dos preços internacionais. O minério de cobre também desempenhou papel fundamental, registrando uma alta de US$ 617,9 milhões nas vendas externas.
Enquanto o setor agropecuário e a indústria de transformação registraram altas expressivas, a indústria extrativa enfrentou desafios. As exportações de petróleo bruto recuaram US$ 390,8 milhões, impactadas por uma queda de 42,1% no volume exportado. Esse cenário reflete, em parte, a aplicação de uma alíquota temporária de 12% de Imposto de Exportação, medida adotada em março para conter a volatilidade dos preços internos dos combustíveis após o início do conflito no Oriente Médio.
Cenário das importações e setores de destaque
O volume de importações também apresentou elevação, atingindo US$ 24,081 bilhões, um aumento de 5,3% frente a maio do ano anterior. O setor de veículos foi o principal vetor dessa alta, com um incremento de US$ 833,5 milhões nas compras realizadas no exterior. A categoria de indústria de transformação manteve-se como o motor das importações, com destaque para a aquisição de combustíveis, válvulas e tubos termiônicos.
Desempenho acumulado no ano
No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o superávit comercial atingiu US$ 32,662 bilhões, o que representa uma expansão de 34,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse resultado é o terceiro maior da série histórica. O crescimento é atribuído tanto à recuperação dos preços das commodities quanto a efeitos estatísticos, como a ausência de operações atípicas de importação de plataformas de petróleo que ocorreram em 2025.
Projeções e expectativas para o fechamento de 2026
O Mdic projeta que o superávit comercial encerre o ano em US$ 72,1 bilhões, uma alta de 5,9% sobre o resultado de 2025. As estimativas oficiais preveem exportações totais de US$ 364,2 bilhões e importações na casa dos US$ 280,2 bilhões. Contudo, o mercado financeiro mantém uma visão ligeiramente mais otimista, com o boletim Focus apontando para um saldo positivo de US$ 76,2 bilhões, refletindo ajustes realizados após as instabilidades geopolíticas recentes.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


