A instabilidade política na Bolívia apresentou sinais de arrefecimento nos últimos dias. O número de bloqueios em rodovias, que paralisaram o país por 50 dias, registrou queda significativa após a formalização de um acordo entre o governo de Rodrigo Paz e a Central Operária da Bolívia (COB), somado à decretação de um estado de exceção no território nacional.
Impacto da desmobilização nas rodovias bolivianas
Após atingir picos de mais de 80 interdições simultâneas, o cenário nas estradas começou a mudar no último domingo (21). Dados da Administradora de Estradas Bolivianas (ABC) indicaram que, após a mobilização inicial em departamentos como La Paz, Cochabamba, Oruro e Santa Cruz, o número de pontos bloqueados caiu para 12 ao longo do dia. A escassez de alimentos e suprimentos médicos, agravada pelo prolongado período de protestos, tem sido apontada como um fator determinante para a redução da adesão popular aos atos.
Acordo entre governo e centrais sindicais
O pacto firmado na sexta-feira (19) entre o presidente Rodrigo Paz e o líder da COB, Mario Argollo, estabelece uma agenda de 90 dias para a pacificação do país. O documento prevê a não criminalização de manifestantes, o fim da perseguição a lideranças sindicais e a criação de uma comissão para avaliar a liberação de detidos durante os confrontos. O governo também se comprometeu a manter empresas estratégicas sob controle estatal, evitando privatizações de recursos nacionais.
Estado de exceção e tensões políticas
O decreto de estado de exceção, aprovado pelo Parlamento na madrugada de domingo, confere ao Executivo poderes para implementar toques de recolher e utilizar as Forças Armadas na contenção de distúrbios. O presidente Rodrigo Paz classificou os bloqueios como uma estratégia de desestabilização democrática, atribuindo a responsabilidade a grupos ligados ao narcotráfico e ao ex-presidente Evo Morales. A medida ocorre em um momento de alta polarização, após sete meses de gestão do governo direitista.
Divergências e resistência nos movimentos sociais
Embora a COB tenha sinalizado uma trégua, a coesão dos movimentos sociais permanece incerta. Organizações como a Confederação Nacional de Mulheres Camponesas Indígenas “Bartolina Sisa” mantêm a postura de resistência, exigindo a renúncia do atual mandatário. A pesquisadora Alina Ribeiro, do NDAC-Cebrap, destaca que a heterogeneidade dos grupos envolvidos dificulta uma resolução unificada, tornando o cenário de conflito ainda complexo e imprevisível. Para mais detalhes sobre o contexto regional, consulte a Agência Brasil.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


