Violência digital contra mulheres dispara 188% e exige novas estratégias de proteção

Arte Ministério das Mulheres

As denúncias de violência contra mulheres no ambiente virtual registraram uma alta expressiva de 188,6% em apenas um ano. Dados oficiais revelam que, entre janeiro e maio, a Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, contabilizou 16.725 registros, contra 5.795 no mesmo período do ano anterior. Esse cenário evidencia como redes sociais, aplicativos e jogos online têm sido instrumentalizados para práticas de perseguição, chantagem e exposição indevida.

Aumento nas notificações e o papel do acolhimento

O crescimento nos números reflete, segundo especialistas, uma redução nas subnotificações, impulsionada por uma maior confiança das vítimas no canal de atendimento. A qualificação do serviço de acolhimento tem sido um fator determinante para que mulheres se sintam seguras ao buscar auxílio. A estratégia atual foca em transformar o Ligue 180 em uma ferramenta ainda mais precisa para enfrentar a complexidade das agressões que ocorrem no mundo conectado.

Capacitação técnica para o combate a crimes virtuais

Para enfrentar essa realidade, o Ministério das Mulheres promoveu a qualificação de cerca de 350 atendentes da central. O treinamento visa atualizar os protocolos de atendimento, permitindo que as profissionais identifiquem com maior agilidade os diferentes tipos de violência digital. Além da capacitação humana, o formulário de atendimento foi modernizado para incluir categorias específicas de crimes cibernéticos, garantindo que o serviço acompanhe as transformações tecnológicas.

Perfil das vítimas e barreiras socioeconômicas

Os dados indicam que a violência digital não atinge todas as mulheres de forma homogênea. Mulheres negras representam quase metade das vítimas, enquanto a faixa etária entre 25 e 49 anos concentra a maior parte das ocorrências. Além disso, a vulnerabilidade econômica é um fator relevante, visto que parcela significativa das vítimas não possui rendimentos próprios ou recebe até um salário-mínimo, o que impõe desafios adicionais para a busca de suporte jurídico e proteção.

Novas diretrizes e o impacto do decreto presidencial

O combate a essas práticas ganhou um novo marco com o decreto presidencial nº 12.976/2026, que estabelece deveres claros para as plataformas digitais. A norma determina, por exemplo, o prazo de duas horas para a remoção de imagens íntimas não consentidas. O texto também equipara conteúdos gerados por inteligência artificial, como os chamados deep nudes, a imagens reais, reconhecendo o impacto devastador que essas produções causam na dignidade das mulheres.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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