Questionamentos sobre a viabilidade financeira do Estado
O senador e pré-candidato ao governo, Jayme Campos (União), manifestou forte oposição ao projeto enviado pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos) à Assembleia Legislativa. A proposta solicita autorização para a contratação de um empréstimo de R$ 1,5 bilhão junto à Caixa Econômica Federal, medida que, segundo o parlamentar, carece de transparência e justificativa técnica adequada.
Durante suas declarações, Jayme Campos expressou estranheza diante da necessidade de endividamento, citando dados sobre a situação financeira do Executivo estadual. O senador questionou o destino dos recursos próprios do Estado, mencionando a existência de cerca de R$ 12 bilhões em aplicações financeiras, o que tornaria, em sua visão, a busca por crédito externo contraditória com o discurso de solidez fiscal propagado pelo governo.
Críticas à promessa de habitação popular
Um dos pontos centrais da crítica do senador refere-se à meta anunciada pelo governo de construir 60 mil moradias populares. Jayme Campos classificou a promessa como irrealista, utilizando termos duros ao comparar o anúncio a uma “conversa de bêbado para delegado”. O parlamentar argumentou que o volume de obras proposto é incompatível com o histórico de entregas da gestão atual.
O senador relembrou que, ao longo dos oito anos da administração de Mauro Mendes, o número de casas construídas não teria atingido a marca de 20 mil unidades. Para ele, a promessa de realizar 60 mil construções em um período de apenas seis meses exige explicações mais detalhadas e transparentes por parte do governo estadual para a população.
Arrecadação e prioridades de investimento
Além do endividamento, Jayme Campos destacou o crescimento da arrecadação estadual como um argumento contra a necessidade de novos empréstimos. Segundo o senador, o Estado arrecadou R$ 2,5 bilhões acima do previsto apenas nos primeiros quatro meses do ano, montante que, em sua avaliação, seria suficiente para atender demandas essenciais.
Entre as prioridades citadas pelo parlamentar estão o pagamento do RGA dos servidores públicos, o fortalecimento das forças de segurança — incluindo a Polícia Militar, a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros — e a melhoria nos serviços de saúde. O senador alertou ainda para o risco de um endividamento excessivo, que poderia comprometer a saúde financeira do Estado a longo prazo.
Justificativa do governo para o financiamento
O projeto foi entregue por Otaviano Pivetta ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (Podemos), na última quarta-feira (24). A justificativa apresentada pelo governo é que os recursos do empréstimo visam compensar a perda de arrecadação decorrente do fim do Fethab 2.
Segundo o governo, a medida é necessária para garantir a continuidade de investimentos estratégicos em infraestrutura e saúde. A proposta busca liberar recursos do fundo para viabilizar o programa habitacional, mantendo o fluxo de obras em diversas regiões de Mato Grosso. Para mais informações sobre o cenário político, acompanhe o portal Olhar Direto.
Fonte: olhardireto.com.br


