Receita federal atinge marca histórica de R$ 266,8 bilhões em maio com ajuda do petróleo

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A arrecadação federal brasileira alcançou a marca histórica de R$ 266,8 bilhões em maio de 2026. O montante representa o maior resultado já registrado para o quinto mês do ano desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995. Este desempenho robusto reflete uma combinação de fatores, incluindo o dinamismo da atividade econômica e ajustes recentes na legislação tributária nacional.

O resultado consolidado em maio aponta para uma alta real de 10,69% quando comparado ao mesmo período de 2025, já descontados os efeitos da inflação. No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, a União totalizou uma arrecadação de R$ 1,32 trilhão, consolidando um cenário de expansão nas receitas públicas que também estabelece um novo recorde para o intervalo de janeiro a maio.

Impacto do setor de petróleo e gás nas contas públicas

Um dos pilares fundamentais para este desempenho foi a valorização do petróleo no mercado internacional. O cenário de tensões geopolíticas no Oriente Médio influenciou diretamente o preço da commodity, elevando as receitas provenientes de royalties, exploração de recursos naturais e tributação sobre exportações.

Apenas no mês de maio, o imposto de exportação sobre o petróleo gerou R$ 1,05 bilhão aos cofres públicos. No acumulado do ano, a arrecadação vinculada à extração de petróleo e gás natural atingiu R$ 50,6 bilhões, um salto expressivo frente aos R$ 13,2 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior, conforme dados da Receita Federal.

Desempenho dos tributos e mudanças legislativas

Além da commodity, outros tributos apresentaram avanços significativos. O Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) somaram R$ 36,7 bilhões em maio, com um crescimento real de 33,11%. Deste total, cerca de R$ 7 bilhões foram atribuídos a recolhimentos atípicos decorrentes de alterações na legislação.

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também registrou números expressivos, acumulando R$ 41,8 bilhões no ano, o que representa uma alta real de 38,77%. O governo tem implementado diversas medidas para fortalecer a base arrecadadora, incluindo mudanças na tributação de fundos exclusivos, offshores e a revisão de incentivos fiscais em setores como combustíveis e apostas eletrônicas.

Desafios e metas do arcabouço fiscal

O incremento na arrecadação é estratégico para o cumprimento da meta fiscal de 2026, que projeta um superávit primário de aproximadamente R$ 34,3 bilhões, ou 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). O arcabouço fiscal vigente estabelece uma margem de tolerância que permite resultados entre zero e um superávit de R$ 68,6 bilhões.

Apesar do impacto das mudanças tributárias, a Receita Federal enfatiza que o crescimento econômico e o desempenho dos setores produtivos continuam sendo os principais motores da arrecadação. O governo segue monitorando as variáveis macroeconômicas para garantir o equilíbrio das contas públicas diante dos desafios orçamentários do exercício corrente.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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