O monitoramento ambiental brasileiro aponta uma mudança significativa na preservação de um dos biomas mais ameaçados do país. Em 2025, a área de desmatamento na Mata Atlântica registrou uma queda de 28% na comparação com o ano anterior, passando de 53.303 hectares para 38.385 hectares. Este índice representa o menor patamar já registrado na série histórica, consolidando uma tendência de desaceleração na perda de vegetação nativa.
Os dados foram consolidados pelo Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, uma iniciativa que integra a Fundação SOS Mata Atlântica, MapBiomas e Arcplan. A análise detalhada revela que 11 dos 17 estados que compõem o bioma apresentaram redução nas taxas de supressão florestal, evidenciando um movimento de proteção que ganha fôlego em diversas regiões brasileiras.
Concentração de perdas e desafios regionais
Apesar da queda generalizada, a pressão sobre o bioma ainda é geograficamente concentrada. Quatro estados — Bahia, Minas Gerais, Piauí e Mato Grosso do Sul — foram responsáveis por 89% de toda a área desmatada no período. Somente a Bahia contabilizou 17.635 hectares de perda, seguida por Minas Gerais, com 10.228 hectares.
A conversão de áreas florestais para o uso agropecuário permanece como o principal vetor de degradação. Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, cerca de 96% da destruição mapeada pelo sistema possui indícios de ilegalidade. Nos demais estados do bioma, o cenário é de maior controle, com as perdas individuais mantendo-se abaixo de 1 mil hectares.
Resultados do Atlas e marcos históricos
Paralelamente ao SAD, o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, realizado em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), trouxe dados ainda mais expressivos. O levantamento, que monitora fragmentos de florestas maduras desde 1985, apontou uma redução de 40% no desmatamento, que caiu para 8.668 hectares em 2025.
Esta marca é histórica, sendo a primeira vez em quatro décadas de monitoramento que a supressão anual de florestas maduras fica abaixo da casa dos 10 mil hectares. Especialistas atribuem este resultado a uma combinação de fatores, incluindo a intensificação da fiscalização, a aplicação de embargos remotos e a restrição de crédito para propriedades rurais que operam à margem da legislação ambiental.
Debate legislativo e riscos à preservação
Mesmo com os números positivos, a continuidade da proteção do bioma enfrenta incertezas no cenário político. A aprovação da Lei Geral do Licenciamento Ambiental e da Lei da Licença Ambiental Especial pelo Congresso Nacional em 2025 gerou preocupação entre ambientalistas. A avaliação é de que tais medidas podem fragilizar os mecanismos de controle que, justamente agora, demonstram eficácia.
A diretoria da Fundação SOS Mata Atlântica alerta que o enfraquecimento dos instrumentos de proteção pode colocar em risco os avanços conquistados. O desafio atual é manter a trajetória de queda até atingir o desmatamento zero, garantindo que a legislação ambiental continue sendo aplicada com o rigor técnico necessário para evitar retrocessos climáticos e ecológicos.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

