O investigador da Polícia Civil, Mário Wilson Gonçalves, prestou depoimento nesta quinta-feira (14) durante o terceiro dia de seu julgamento pelo assassinato do policial militar Thiago Ruiz. O crime, ocorrido em dezembro de 2023, em Cuiabá, é objeto de um júri que discute as circunstâncias da abordagem e a dinâmica da luta corporal que resultou na morte da vítima.
Durante sua autodefesa, Gonçalves sustentou que agiu sob a convicção de que Ruiz não pertencia à corporação. O réu afirmou que não teve outra opção diante do que classificou como um comportamento agressivo da vítima, descrevendo a reação de Ruiz ao tentar retomar sua arma como uma atitude suicida.
A origem da desconfiança e o conflito no posto
Segundo o relato do investigador, a suspeita sobre a identidade de Thiago Ruiz surgiu devido à companhia de outro policial civil, que, segundo o réu, apresentava sinais de uso de entorpecentes. Gonçalves afirmou ter notado que a arma portada pela vítima não possuía o brasão oficial da corporação e apresentava sinais de desgaste, o que reforçou sua descrença sobre a legitimidade do militar.
O réu detalhou que, ao questionar Ruiz sobre sua lotação e histórico funcional, a vítima teria tentado exibir uma cicatriz, momento em que Gonçalves visualizou o revólver. O investigador alega que, ao tentar reter a arma para verificação, iniciou-se uma luta corporal intensa, culminando nos disparos que levaram Ruiz a óbito após ser socorrido.
Argumentos da defesa e a tese de exercício profissional
A equipe de defesa, liderada pelo advogado Cláudio Dalledone, busca a absolvição do réu sob a tese de que a ação ocorreu dentro do exercício da profissão. A estratégia jurídica sustenta que Gonçalves tentou conter uma ameaça real, motivada pela presença de uma arma de fogo em posse de um indivíduo que, na visão do réu, apresentava comportamento alterado.
O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE), por sua vez, mantém a acusação de homicídio qualificado por motivo fútil e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. O promotor Vinicius Gahyva e o assistente de acusação, Rodrigo Pouso, conduziram o interrogatório focando nas contradições da versão apresentada pelo investigador.
Contexto do julgamento e desdobramentos
O caso, que teve grande repercussão em Mato Grosso, segue em análise pelos jurados após a conclusão da fase de depoimentos. O julgamento, iniciado na terça-feira (12), reflete a tensão entre as versões apresentadas pela acusação e pela defesa sobre a conduta dos agentes envolvidos no episódio registrado em um posto de combustíveis no centro da capital.
Para mais detalhes sobre o andamento do processo, acompanhe as atualizações oficiais através do portal Tribunal de Justiça de Mato Grosso. A decisão final do júri determinará o desfecho jurídico para o investigador, que permanece respondendo pelas acusações de homicídio.
Fonte: olhardireto.com.br

