O mercado de trabalho brasileiro atravessa um momento de transformação significativa, refletindo um cenário de aquecimento que vai além da queda na taxa de desocupação. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirmam que o país alcançou a menor taxa de subutilização da força de trabalho desde o início da série histórica, em 2012.
No trimestre móvel encerrado em maio, o índice de subutilização recuou para 13,3%. Este resultado supera o recorde anterior, registrado no último trimestre de 2025, quando a marca atingiu 13,4%. O indicador é fundamental para compreender a dinâmica real da economia, pois revela o grau de aproveitamento da mão de obra disponível no país.
Entendendo o conceito de subutilização
Enquanto a taxa de desocupação foca apenas naqueles que procuraram emprego e não encontraram, a taxa de subutilização oferece uma visão mais abrangente. Ela mensura a parcela da população em idade ativa que não é plenamente aproveitada, englobando indivíduos que gostariam de trabalhar mais ou que possuem potencial para integrar o mercado.
Segundo William Kratochwill, analista do IBGE, o grupo de subutilizados é composto por três categorias distintas:
- Desocupados: pessoas que buscaram ativamente por uma vaga nos 30 dias anteriores à pesquisa.
- Subocupados: trabalhadores que desejam ampliar sua carga horária, mas não conseguem atingir as 40 horas semanais.
- Força de trabalho potencial: indivíduos desalentados, que desistiram da busca por acreditarem não haver vagas, e outros que desejam trabalhar, mas não estavam disponíveis no momento.
Evolução e impacto no cenário econômico
O contingente de subutilizados caiu para 15,1 milhões de pessoas no trimestre encerrado em maio, representando uma redução de 920 mil trabalhadores em comparação ao período anterior. Em uma análise anual, o recuo é ainda mais expressivo, com 1,9 milhão de pessoas deixando essa condição em relação a maio de 2025.
O contexto histórico ajuda a dimensionar a melhora atual. Durante o auge da pandemia de covid-19, no trimestre até agosto de 2020, o país atingiu o pico de 30,7% de subutilização. Antes da crise sanitária, o patamar mais elevado havia sido de 25%, registrado em maio de 2019, evidenciando a robustez da recuperação recente.
Perspectivas para o mercado de trabalho
A escassez crescente de mão de obra disponível aponta para uma mudança na relação entre empregadores e trabalhadores. Com o mercado absorvendo grande parte da força de trabalho, a tendência é que ocorram pressões por melhores condições e valorização salarial.
Conforme aponta William Kratochwill, o “colchão” de trabalhadores que poderiam ser facilmente absorvidos está diminuindo. Esse cenário força as empresas a competirem por talentos, o que deve elevar a qualidade das ofertas de emprego e o poder de negociação da classe trabalhadora no médio prazo.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


