Câncer e prevenção: um em cada quatro brasileiros desconhece a possibilidade de evitar a doença

© Paulo Pinto/Agência Brasil

Um levantamento inédito revela uma lacuna preocupante na saúde pública nacional: um em cada quatro brasileiros desconhece que o câncer é uma enfermidade passível de prevenção. Os dados integram o relatório Mais Dados Mais Saúde, que analisou a percepção da população sobre fatores de risco comportamentais e ambientais, destacando a necessidade urgente de ampliar o acesso à informação e a eficácia das políticas públicas.

O estudo, realizado pelas organizações Umane e Vital Strategies com o apoio do Instituto Devive e parceria técnica do Inca, ouviu 6,5 mil pessoas em todas as unidades da federação. A pesquisa surge em um cenário de alerta, com estimativas de 781 mil novos casos da doença por ano no triênio 2026/2028, um crescimento de 10,9% impulsionado pelo envelhecimento populacional e por escolhas de estilo de vida.

Desafios na percepção dos fatores de risco

A compreensão pública sobre o que causa o câncer é heterogênea. Enquanto o tabagismo é amplamente reconhecido como um perigo — 90,5% dos entrevistados associam o cigarro à doença —, outros comportamentos críticos permanecem subestimados. A herança genética e a exposição solar excessiva também possuem altos índices de reconhecimento, com 89,4% e 88,3%, respectivamente.

Em contrapartida, hábitos cotidianos ligados à dieta e ao movimento corporal apresentam baixa percepção de risco. Menos da metade dos brasileiros, apenas 48,3%, identifica o sedentarismo como um fator que favorece o surgimento de tumores. Além disso, o consumo de bebidas alcoólicas, embutidos e alimentos ultraprocessados ainda não é plenamente associado ao aumento das chances de adoecimento pela maioria da população.

O impacto das políticas públicas na conscientização

Segundo Luciana Grucci Moreira, chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca, a disparidade no conhecimento reflete o sucesso de campanhas informativas históricas. O exemplo do tabaco demonstra que, quando há um conjunto robusto de advertências em embalagens, restrição de ambientes e taxação, a percepção social se altera drasticamente. A especialista defende que o mesmo rigor deve ser aplicado a outros fatores de risco.

A pesquisa aponta ainda que o aleitamento materno, fator de proteção contra o câncer de mama, é desconhecido por 40% dos entrevistados. Para mudar esse quadro, a estratégia deve ir além da simples recomendação, focando em garantir ambientes que permitam escolhas saudáveis, como locais seguros para prática de exercícios e maior acesso a alimentos frescos, mitigando as barreiras socioeconômicas que dificultam a prevenção.

Comportamento de risco entre os jovens

O relatório identifica um comportamento de risco mais acentuado entre jovens de até 24 anos. Esse grupo apresenta as maiores taxas de consumo de ultraprocessados, bebidas adoçadas e carne vermelha sem qualquer intenção de redução. Em relação ao álcool, substância ligada a pelo menos oito tipos de câncer, os jovens também lideram o índice daqueles que consomem e não planejam diminuir o hábito.

Para mais detalhes sobre as diretrizes de prevenção, consulte o portal oficial do Instituto Nacional de Câncer. A mudança de paradigma exige um esforço conjunto que integre comunicação de massa, regulação de mercado e infraestrutura urbana, transformando a informação em ferramentas práticas para a longevidade da população brasileira.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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