O cenário atual da mortalidade materna no Brasil
O Brasil enfrenta um desafio persistente na saúde pública com a perda de centenas de mulheres anualmente durante a gestação ou no período de até 42 dias após o término da gravidez. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade, consultados no Observatório da Saúde Pública, indicam que a razão de mortalidade materna no país atingiu 56,4 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos em 2024, totalizando 1.347 mortes registradas naquele ano.
A meta estabelecida pelas autoridades de saúde é reduzir esse índice para 30 mortes a cada 100 mil nascidos vivos até 2030. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a gravidade do quadro é acentuada pelo fato de que nove em cada dez desses óbitos são considerados evitáveis, reforçando a necessidade de políticas públicas mais eficazes.
A importância do pré-natal e do atendimento especializado
O Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, celebrado em 28 de maio, destaca a urgência de garantir a integralidade da saúde da mulher e os direitos de gestantes e puérperas. Maria Isabel Peixoto, chefe da Unidade da Saúde da Mulher da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), enfatiza que a segurança no parto está diretamente ligada à qualidade do acompanhamento pré-natal.
Um pré-natal realizado de forma precoce e minuciosa permite o monitoramento de variáveis críticas, preparando a paciente para um parto assistido em local adequado. Unidades de referência, como a maternidade da UFRJ, desempenham um papel fundamental ao tratar casos de alto risco, garantindo que o conhecimento técnico se traduza em desfechos favoráveis para mães e bebês.
Causas principais e o papel da multidisciplinaridade
As complicações obstétricas diretas respondem por 66% das mortes maternas no país. Entre as causas mais frequentes estão as síndromes hipertensivas, hemorragias, infecções puerperais e complicações relacionadas ao aborto. O acompanhamento rigoroso, como o realizado com pacientes que apresentam hipertensão ou diabetes gestacional, é essencial para mitigar esses riscos.
O enfermeiro obstétrico Renné Costa, membro do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), defende a atuação multidisciplinar como estratégia para a segurança assistencial. Para o especialista, a colaboração entre diferentes profissionais de saúde, cada um exercendo seu papel técnico, é o caminho para otimizar os resultados no Sistema Único de Saúde (SUS). A autonomia da enfermagem obstétrica, amparada pela Lei 7.498 de 1986, tem se mostrado um fator determinante para ampliar o acesso e a qualidade do atendimento em diversas regiões do país.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


