PGR pede ao STF que mantenha condenação de 27 anos contra Jair Bolsonaro

© Rosinei Coutinho/STF

A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se formalmente nesta terça-feira (16) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) em oposição ao pedido de revisão criminal apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. O recurso buscava anular a condenação de 27 anos e três meses de prisão imposta ao ex-mandatário no âmbito do processo sobre a trama golpista.

No parecer enviado à Corte, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, argumentou que o processo em questão já transitou em julgado e que não foram apresentados elementos novos ou fatos inéditos que pudessem justificar qualquer alteração na sentença proferida. O posicionamento reforça a validade jurídica da decisão anterior do tribunal.

Fundamentação jurídica da Procuradoria-Geral da República

Para o chefe do Ministério Público Federal, o título condenatório permanece hígido e fundamentado em um conjunto probatório robusto. Paulo Gonet destacou que a execução da pena, que já foi determinada pela Suprema Corte, seguiu todos os trâmites legais após a análise detalhada das teses apresentadas anteriormente pela defesa.

O procurador enfatizou que as alegações trazidas na petição inicial da ação revisional não possuem o ineditismo necessário para desconstruir o pronunciamento jurisdicional definitivo. Segundo a manifestação, não houve contrariedade ao texto expresso da lei penal, nem a utilização de provas falsas ou a descoberta de novas evidências que pudessem alterar o mérito da condenação.

Argumentos da defesa e o pedido de revisão criminal

A defesa de Jair Bolsonaro protocolou o pedido de revisão criminal no dia 8 de maio, alegando a existência de um suposto erro judiciário. Entre os pontos contestados pelos advogados, destaca-se a crítica à tramitação do processo, com a defesa sustentando que, por sua condição de ex-presidente, o julgamento deveria ter ocorrido no plenário do STF, e não na Primeira Turma.

Além da questão processual, os advogados questionaram a validade da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens, argumentando que o depoimento não teria sido voluntário. A defesa também alegou falta de acesso integral aos autos da investigação e sustentou a ausência de provas concretas sobre a participação direta de Bolsonaro nos eventos de 8 de janeiro de 2023.

Trâmite processual e composição da Segunda Turma

A condenação original foi proferida pela Primeira Turma do Supremo, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. Seguindo o regimento interno da Corte, o novo recurso será analisado pela Segunda Turma, que é integrada pelos ministros André Mendonça, Nunes Marques, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Luiz Fux.

O ministro Nunes Marques foi designado como relator do caso. Até o momento, não foi estabelecido um prazo para que o julgamento ocorra. Atualmente, o ex-presidente cumpre pena em regime de prisão domiciliar temporária, motivada por questões de saúde, conforme informações da Agência Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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