Governo federal articula decreto para estruturar a economia criativa no Brasil
O governo federal avança na consolidação de uma estratégia nacional voltada ao desenvolvimento do setor cultural e criativo. Sete ministérios estão envolvidos na elaboração de um decreto interministerial destinado a instituir a Política Nacional de Economia Criativa, visando integrar o segmento de forma definitiva à agenda de desenvolvimento do país. A iniciativa foi debatida durante o Seminário Internacional Caminhos para Fomento e Financiamento em Economia Criativa, realizado no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro.
A proposta possui um caráter transversal, reconhecendo que a economia criativa transcende o campo da cultura. Segundo Cláudia Leitão, secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura (MinC), o decreto deve conectar áreas estratégicas como indústria, turismo, ciência, tecnologia, trabalho e desenvolvimento regional. O objetivo é transformar o setor em uma política de Estado, alinhando inovação, sustentabilidade e inclusão social.
Estratégia nacional e escuta regional
O desenho da nova política é resultado de um extenso processo de escuta realizado pelo Fórum Brasil Criativo. Desde o ano passado, a iniciativa percorreu as cinco regiões do país, coletando contribuições fundamentais de agentes do setor. O seminário no Rio de Janeiro marcou o encerramento deste ciclo, com a previsão de elaboração da Carta do Sudeste, documento que servirá de base para o futuro Plano Brasil Criativo.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, enfatizou que a construção do marco regulatório ocorre de forma coletiva. A gestora ressaltou que, embora o governo lidere a articulação, é indispensável o engajamento do setor privado e das instituições financeiras. Para a ministra, investir em cultura gera resultados rápidos, promove a sociabilidade e movimenta diversos outros pilares da economia nacional.
Desafios no financiamento e ativos intangíveis
Um dos pontos centrais do debate é a criação de instrumentos financeiros adaptados às particularidades do setor criativo. Luciane Gorgulho, economista do BNDES, pontuou que a economia criativa enfrenta barreiras específicas devido à natureza intangível de grande parte de seus ativos. A dificuldade em mensurar a propriedade intelectual e o valor de criação muitas vezes limita o acesso ao crédito tradicional.
O seminário também proporcionou uma vitrine para experiências bem-sucedidas de empreendedorismo cultural. Representantes de iniciativas como o Museu do Hip Hop e a Feira Preta compartilharam os desafios de garantir sustentabilidade financeira em seus territórios. A troca de experiências reforçou a necessidade de combinar investimento público, linhas de crédito e modelos de negócio que respeitem a diversidade cultural brasileira.
Potencial comparativo e desenvolvimento
Durante as discussões, o Brasil foi comparado a potências que transformaram sua indústria cultural em motor econômico, como a Coreia do Sul. Especialistas apontam que o país possui um potencial semelhante, sustentado por sua vasta diversidade territorial. A estratégia busca, portanto, consolidar a dimensão econômica da cultura, que hoje emprega milhões de brasileiros, mas ainda carece de políticas de fomento estruturadas e de fácil acesso.
Para mais informações sobre o setor, consulte o portal oficial da Agência Brasil.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


