
A Operação Simulacrum trouxe à tona revelações graves sobre a atuação de agentes de segurança pública em Mato Grosso. Segundo o promotor de Justiça Vinícius Gahyva, as investigações conduzidas pelo Ministério Público desmantelaram um modelo de assassinatos em série que operava sob o pretexto de atividades funcionais. O caso aponta para uma dinâmica criminosa que, durante anos, mascarou execuções como confrontos policiais legítimos na região metropolitana da capital.
simulacrum: cenário e impactos
A mecânica das execuções e o uso da farda
As investigações detalham um esquema onde as vítimas eram atraídas para locais específicos sob a promessa de lucros fáceis em falsos assaltos. Ao chegarem aos pontos determinados, os indivíduos eram executados pelos agentes. O promotor Vinícius Gahyva destacou que o grupo migrou de um modelo de milícia privada para uma estrutura que utilizava a autoridade da farda como escudo para a prática de crimes.
Dados sobre a letalidade policial
O monitoramento realizado pelo Núcleo de Defesa da Vida revelou uma escalada preocupante nos índices de violência. Entre 2015 e 2025, as mortes decorrentes de intervenção policial saltaram de 1% para mais de um terço dos homicídios registrados em Cuiabá e Várzea Grande. O promotor enfatizou que o percentual de 34,18% atingido no biênio 2024-2025 é um reflexo direto da impunidade que cercava essas ações.
Evidências técnicas e a contestação dos confrontos
A perícia técnica foi fundamental para desmentir as versões oficiais apresentadas em diversos boletins de ocorrência. Em um dos episódios analisados, foram disparados 112 tiros de fuzil, sem que houvesse qualquer revide por parte das vítimas. Exames periciais também identificaram marcas de defesa nos corpos e a ausência de disparos realizados pelos alvos, reforçando a tese de que as cenas de confronto foram forjadas para justificar as mortes.
Impacto social e o papel da justiça
O promotor criticou a tendência de parte da sociedade em relativizar a violência quando as vítimas possuem antecedentes criminais ou vivem em situação de vulnerabilidade. Para o Ministério Público, a banalização do direito à vida é inaceitável. A redução dos índices de letalidade, observada recentemente, é atribuída diretamente às prisões de policiais envolvidos em tramas criminosas, incluindo casos de grande repercussão como os assassinatos de Roberto Zampieri e Renato Nery.
Para mais informações sobre o andamento das investigações e o combate à criminalidade, consulte o portal oficial do Ministério Público de Mato Grosso.
Fonte: olhardireto.com.br

