A busca por um estilo de vida que rompa com as convenções tradicionais de trabalho levou Fabielle Guia, de 29 anos, a uma trajetória de descobertas globais. Natural de Várzea Grande, a viajante decidiu abandonar a estabilidade de um emprego formal para explorar diferentes culturas de forma independente. Há quase um ano, ela percorre países da Ásia e da África, mantendo sua rotina nômade através do marketing digital.
nômade: cenário e impactos
Essa transição, iniciada após o pedido de demissão em julho do ano passado, permitiu que a mato-grossense conhecesse destinos como Vietnã, Tailândia, Indonésia, Malásia, África do Sul e Namíbia. A experiência, compartilhada em plataformas digitais, reflete não apenas o desejo de aventura, mas uma mudança profunda na percepção sobre identidade e o impacto do local de nascimento na formação do indivíduo.
Desafios físicos e reflexões no Monte Rinjani
Uma das experiências mais marcantes de sua expedição foi a subida ao Monte Rinjani, localizado na Indonésia. O vulcão, que é o segundo maior do país, impõe um desafio físico considerável devido à altitude superior a 3.700 metros. A travessia ganhou contornos emocionais intensos para a viajante, que relembrou o caso da brasileira Juliana Marins, falecida no local após um acidente durante a escalada.
Para Fabielle, percorrer o mesmo trajeto exigiu um estado de alerta constante e provocou um sentimento de compaixão. A vivência reforçou a complexidade de viajar sozinha, um estilo de vida que, embora traga liberdade, também atrai críticas externas. A viajante enfatiza que prefere se cercar de pessoas que valorizam a coragem e a superação da zona de conforto, ignorando julgamentos que considera infundados.
Choque cultural e a sensação de segurança no exterior
A passagem por diferentes nações proporcionou contrastes significativos, especialmente no que diz respeito à segurança pública. Enquanto o Vietnã apresentou um cenário caótico e vibrante, com o intenso fluxo de motos e peculiaridades urbanas, a Tailândia trouxe uma surpresa positiva. Fabielle relata ter se sentido segura ao transitar por locais públicos durante a madrugada, uma realidade que, segundo ela, difere drasticamente de sua experiência em diversas regiões do Brasil.
Essa vivência em ambientes diversos tem sido fundamental para sua evolução pessoal. A viajante reflete constantemente sobre como as crenças e os costumes locais moldam a personalidade de cada povo, questionando-se sobre quem ela seria caso tivesse nascido em contextos culturais tão distintos dos que encontrou em sua trajetória pelo continente asiático e africano.
Sustentabilidade financeira e laços com a origem
A manutenção da vida nômade é viabilizada pelo trabalho remoto no setor de marketing digital. Após utilizar os recursos da rescisão trabalhista para iniciar o projeto, Fabielle passou a focar em programas de afiliados, como os da Kiwify, Hotmart e Shopee. A estratégia permite que ela gerencie suas finanças enquanto explora novos territórios, mantendo a independência necessária para continuar o percurso.
Apesar da liberdade, a saudade das raízes mato-grossenses permanece presente. A convivência com a família numerosa e unida, além de hábitos simples como a culinária regional, são pontos de conexão com sua terra natal. Para a viajante, o aprendizado mais valioso de todo esse processo foi a compreensão de que a ansiedade pelo futuro pode ser substituída pela confiança de que as mudanças ocorrem no tempo certo.
Fonte: olhardireto.com.br


