O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, iniciou sua gestão com foco estratégico no combate à desinformação e ao uso indevido de tecnologias digitais. Em sua primeira reunião com os presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), realizada na segunda-feira (25), foi oficializada a criação de uma comissão permanente dedicada a monitorar e mitigar os riscos associados ao uso de inteligência artificial durante o pleito de outubro.
eleições: cenário e impactos
Estratégia do TSE contra a inteligência artificial ilegal
A nova comissão terá como missão principal desenvolver um catálogo nacional de soluções técnicas voltadas aos desafios digitais enfrentados pela Justiça Eleitoral. O grupo de trabalho, que possui um cronograma de conclusão fixado em 90 dias, buscará integrar conhecimentos acadêmicos e práticos para garantir a integridade do processo democrático.
Para fortalecer a capacidade de resposta, o tribunal firmará parcerias com universidades especializadas em perícias de ilícitos digitais. Essa colaboração visa dotar a Justiça de ferramentas mais precisas para identificar e coibir manipulações algorítmicas ou conteúdos sintéticos que possam comprometer a lisura das campanhas eleitorais.
Reforço na segurança da informação nos estados
Além da comissão nacional, a estrutura de defesa do sistema eleitoral será descentralizada. Ficou determinado que todos os TREs devem implementar unidades próprias de segurança da informação em um prazo máximo de 30 dias. A medida visa criar uma rede de proteção capilarizada, capaz de identificar ameaças locais com maior agilidade.
O ministro Nunes Marques também planeja uma série de encontros com representantes de partidos políticos. O objetivo desses diálogos é reforçar a necessidade de estrito cumprimento das normas eleitorais vigentes, assegurando que as agremiações estejam alinhadas com as diretrizes de transparência e ética digital estabelecidas pela Corte.
Antecedentes e regulação do uso de tecnologia
Desde que tomou posse, em 12 de maio, o presidente do TSE tem reiterado que a contenção do uso inadequado de IA é uma prioridade absoluta de sua gestão. A iniciativa dá continuidade a um esforço regulatório iniciado em março deste ano, quando a Corte aprovou restrições severas para o emprego dessas tecnologias nas campanhas.
Entre as medidas já em vigor, destaca-se a proibição de que provedores de IA sugiram nomes de candidatos aos eleitores, mesmo quando provocados por comandos de usuários. A regra busca blindar o processo de escolha contra interferências de algoritmos, preservando a autonomia do voto popular. Mais detalhes sobre o arcabouço legal podem ser consultados no portal da Agência Brasil.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


