Desempenho de licenciaturas Ead é 53,1% inferior em avaliação do MEC

© Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

Dados recentes divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) revelam um cenário preocupante para a formação de professores no Brasil. Em 2025, 53,1% dos concluintes de cursos de licenciatura na modalidade de educação a distância (EaD) apresentaram desempenho insuficiente no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) das Licenciaturas.

O levantamento destaca uma disparidade acentuada entre as modalidades de ensino. Enquanto a maioria dos estudantes de cursos presenciais demonstrou proficiência, atingindo níveis adequados de conhecimento e habilidade, os alunos da modalidade a distância enfrentaram dificuldades significativas na avaliação. O cenário motivou o governo a endurecer as regras de regulação para o setor.

Impacto do desempenho no Enade das Licenciaturas

O Conceito Enade, gerido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), serve como um termômetro da qualidade do ensino superior. A escala, que varia de 1 a 5, apontou que 60,51% dos cursos de formação de professores na modalidade EaD obtiveram notas 1 ou 2, classificações consideradas insatisfatórias pelo órgão regulador.

Ao todo, foram avaliados 4.547 cursos. Entre os que registraram os menores conceitos, 682 são cursos a distância, enquanto 1.048 são presenciais. A análise reforça a necessidade de intervenção estatal para garantir que os futuros docentes possuam a base teórica e prática exigida para o exercício da profissão em sala de aula.

Mudanças regulatórias e extinção de cursos EaD

Diante dos resultados, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou medidas drásticas durante coletiva em Brasília. A principal diretriz estabelece que todos os cursos de licenciatura ofertados exclusivamente na modalidade EaD deverão ser extintos até maio de 2027. A estratégia visa forçar a transição para modelos presenciais ou semipresenciais.

O governo proibiu a migração direta de alunos matriculados nesses cursos para outras formações, exigindo que as instituições adaptem sua oferta pedagógica. A medida faz parte da Portaria MEC nº 381/2025, que busca elevar o padrão de qualidade da educação superior brasileira.

Monitoramento e exigência de avaliações presenciais

Para assegurar a melhoria dos indicadores, o MEC instituiu um monitoramento sistemático dos cursos com conceitos baixos. A renovação automática de reconhecimento, que dispensava visitas técnicas, foi suspensa. Agora, a avaliação in loco torna-se um requisito obrigatório para a continuidade das atividades acadêmicas após o período de transição.

Instituições públicas, tanto federais quanto estaduais, lideram o ranking de proficiência, com índices que superam 70% de alunos bem avaliados. Em contraste, o setor privado apresenta um desafio maior, com apenas 46,5% de seus concluintes atingindo o nível de proficiência esperado pelo ministério.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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