Pacientes com diabetes no Brasil buscam tecnologia para controle da glicemia

© Marcello Casal jr/Agência Brasil

O gerenciamento do diabetes no Brasil enfrenta desafios que vão além do controle clínico, impactando diretamente o bem-estar emocional e a rotina dos pacientes. Uma pesquisa recente revela que 70% dos brasileiros diagnosticados com a condição relatam que a doença afeta significativamente sua saúde mental, com altos índices de ansiedade e isolamento social. O estudo, realizado com mais de 4 mil pessoas em 22 países, destaca a necessidade urgente de soluções tecnológicas que ofereçam maior previsibilidade no monitoramento da glicose.

Impacto emocional e limitações do cotidiano

A convivência diária com o diabetes impõe restrições que dificultam atividades simples, como longas reuniões ou o planejamento de viagens. Segundo o levantamento, 56% dos entrevistados brasileiros afirmam que a patologia limita sua capacidade de passar o dia fora de casa, enquanto 55% relatam não acordar descansados devido às variações glicêmicas noturnas. Esse cenário reflete uma baixa confiança no gerenciamento da própria condição, com apenas 35% dos pacientes sentindo-se seguros quanto ao controle da doença.

A demanda por tecnologias preditivas e inteligência artificial

Diante das dificuldades enfrentadas, 44% dos pacientes defendem a priorização de tecnologias inteligentes capazes de antecipar mudanças nos níveis de glicose. A inteligência artificial surge como uma aliada estratégica, com 53% dos participantes apontando a previsão de níveis futuros como a funcionalidade mais desejada em novos sensores. Para pacientes com diabetes tipo 1, esse desejo é ainda mais expressivo, chegando a 95% entre os que buscam ferramentas eficazes contra episódios de hipoglicemia e hiperglicemia.

O papel do monitoramento contínuo no tratamento

Especialistas reforçam que o uso de sensores de monitoramento contínuo de glicose, conhecidos como CGM, representa um divisor de águas no tratamento. Segundo André Vianna, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, essas ferramentas permitem que o paciente tome atitudes preventivas antes mesmo que a glicemia atinja níveis críticos. A adoção dessas tecnologias não apenas melhora a qualidade de vida, reduzindo o estresse diário, mas também apresenta potencial para diminuir internações e custos hospitalares a longo prazo.

Debate sobre o acesso via sistema público de saúde

Embora os benefícios sejam reconhecidos, o acesso a essas tecnologias no Brasil ainda é desigual, concentrando-se em faixas de maior poder aquisitivo. Em janeiro de 2025, o Ministério da Saúde optou por não incorporar o monitoramento contínuo por escaneamento intermitente ao Sistema Único de Saúde (SUS), conforme detalhado na Portaria número 2. Paralelamente, tramita no Legislativo o Projeto de Lei 323/25, que propõe a obrigatoriedade do fornecimento gratuito desses dispositivos pelo SUS, medida que ainda aguarda análise de comissões temáticas antes de seguir para votação final.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias Recentes

Compartilhe como preferir

Copiar Link
WhatsApp
Facebook
Email