Carbono azul emerge como pilar estratégico no combate ao aquecimento global

© Fernando Frazão/Agência Brasil

Na busca por soluções eficazes para conter o avanço do aquecimento global, o conceito de carbono azul ganha protagonismo na agenda climática internacional. O termo refere-se à capacidade de ecossistemas marinhos, como manguezais, marismas e pradarias, de capturar e armazenar dióxido de carbono da atmosfera. Em um cenário de emergência climática, esses ambientes atuam como sumidouros naturais vitais para a regulação do clima no planeta.

Especialistas apontam que o oceano é responsável pela absorção de cerca de 30% das emissões globais de CO₂. Além de mitigar os efeitos dos gases de efeito estufa, esses ecossistemas desempenham funções cruciais na proteção das zonas costeiras contra a erosão e eventos climáticos extremos, servindo como barreiras naturais que sustentam a biodiversidade e garantem a segurança das comunidades litorâneas.

Potencial estratégico da costa brasileira

O Brasil ocupa uma posição de destaque global ao abrigar o maior sistema contínuo de manguezais do mundo, localizado na costa da Amazônia. Apesar dessa relevância, o sistema marinho-costeiro brasileiro, que compreende aproximadamente 5,7 milhões de quilômetros quadrados, ainda enfrenta desafios de visibilidade política e financeira. Enquanto biomas terrestres como a Amazônia e o Cerrado concentram grande parte dos recursos, o oceano é frequentemente negligenciado nas estratégias de conservação.

O Sistema Marinho-Costeiro representa cerca de 40% do território nacional e abriga mais da metade da população brasileira. A invisibilidade histórica do mar como um território vivo e produtivo tem sido alvo de críticas por parte de organizações ambientais, que defendem uma mudança na percepção pública para que o oceano seja tratado como um pilar central da soberania e da resiliência climática do país.

Direitos territoriais e justiça socioambiental

A expansão de projetos voltados ao crédito de carbono azul traz à tona debates fundamentais sobre a governança territorial. O sucesso de iniciativas de conservação não deve ser mensurado apenas pela métrica de toneladas de carbono estocadas, mas pela capacidade de assegurar os direitos das comunidades tradicionais que dependem desses ecossistemas. A repartição justa de benefícios é considerada uma condição indispensável para a sustentabilidade desses projetos a longo prazo.

A degradação desses ambientes não apenas interrompe a prestação de serviços ecossistêmicos, mas também representa um risco climático severo. Quando manguezais ou áreas de restinga são destruídos, o carbono acumulado ao longo de séculos é liberado, transformando sumidouros em fontes emissoras de gases poluentes e agravando o aquecimento global.

Segurança alimentar e economia pesqueira

A proteção dos oceanos está intrinsecamente ligada à manutenção da segurança alimentar e da economia. No Brasil, o setor pesqueiro artesanal sustenta cerca de 1,7 milhão de profissionais que dependem diretamente da integridade dos ecossistemas marinhos. A preservação desses locais garante a continuidade dos estoques pesqueiros e a oferta de proteína de alta qualidade para a população.

Instituições como a Conservação Internacional e o WWF-Brasil atuam em frentes integradas para fortalecer a governança costeira. As estratégias atuais priorizam o manejo de áreas protegidas, a restauração de recifes de coral — ecossistemas altamente vulneráveis — e a incidência política para assegurar que a transição energética e a conservação marinha caminhem juntas, beneficiando tanto o meio ambiente quanto os povos do mar.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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