As polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro deflagraram, nesta quarta-feira (10), uma ofensiva de larga escala no Complexo da Maré, na zona norte da capital fluminense. A ação, denominada Operação Trinus, tem como objetivo principal o cumprimento de 56 mandados de prisão e 42 ordens de busca e apreensão contra integrantes da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).
A mobilização envolve unidades de elite, como a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). O trabalho é fruto de meses de investigações conduzidas pela 21ª Delegacia Policial (DP), que mapeou uma estrutura criminosa complexa voltada para a expansão territorial e o financiamento de atividades ilícitas na região.
Investigação sobre a estrutura do crime organizado
Segundo as autoridades, a facção mantinha um controle rígido sobre serviços essenciais nas comunidades, incluindo o fornecimento de água, gás e acesso à internet. A investigação detalhou que o grupo operava em seis frentes distintas, utilizando o lucro dessas atividades para fortalecer seu domínio territorial e adquirir armamento pesado.
Um dos focos da operação é o combate ao roubo de cargas nas vias expressas que circundam o complexo, como a Linha Vermelha, a Linha Amarela e a Avenida Brasil. Além disso, a polícia desarticulou uma rede estruturada para o roubo e receptação de aparelhos de celular, onde os criminosos seguiam metas de arrecadação de dispositivos desbloqueados.
Impacto social e interrupção de serviços públicos
A presença das forças de segurança na região resultou em intensas trocas de tiros, gerando reflexos imediatos no cotidiano dos moradores. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, 42 escolas municipais tiveram suas atividades impactadas, enquanto duas unidades da rede estadual foram forçadas a encerrar o funcionamento.
O setor de saúde também sofreu restrições, com três unidades de atenção primária suspendendo o atendimento ao público durante o período da operação. Relatos de moradores, compilados pelo portal Maré de Notícias, confirmam a circulação de veículos blindados e o uso de aeronaves pelas forças policiais sobre o conjunto de favelas.
Monetização através de eventos e crimes digitais
Um dos pontos de destaque da investigação policial é o chamado Baile da Disney, realizado na Vila do João. O evento, que contava com decoração temática e atrações circenses, funcionava como uma plataforma de monetização do crime, servindo inclusive como canal para o escoamento de mercadorias roubadas sob a vigilância de homens armados com fuzis.
Além das atividades físicas, a polícia identificou a participação de investigados em grupos digitais dedicados à pornografia infantil. As denúncias apontam para a circulação de materiais contendo abuso sexual explícito contra crianças e bebês. Durante a incursão, policiais do Bope também localizaram uma estufa clandestina na Vila do João, onde foram apreendidos 128 pés de maconha e diversos equipamentos para o cultivo de entorpecentes.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


