O Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou sua posição sobre a revisão da vida toda ao rejeitar, nesta sexta-feira (15), os recursos apresentados contra a decisão que havia derrubado a tese favorável aos aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O julgamento, realizado no plenário virtual, encerrou uma etapa importante do embate jurídico que impacta milhões de beneficiários da previdência brasileira.
Manutenção da decisão sobre a revisão da vida toda
A maioria dos ministros seguiu o voto do relator, Alexandre de Moraes, que negou os embargos de declaração apresentados. A Corte entendeu que não existiam vícios ou irregularidades na deliberação anterior, que cancelou a tese jurídica que permitia aos segurados optarem pela regra de cálculo mais vantajosa considerando todo o período contributivo.
O tribunal reafirmou que os valores recebidos por aposentados por meio de decisões definitivas ou provisórias até 5 de abril de 2024 estão preservados. Essa data marca a publicação da ata do julgamento que inicialmente invalidou a possibilidade de revisão, garantindo segurança jurídica aos pagamentos já efetuados até aquele momento.
Placar do julgamento e divergências internas
O resultado final do julgamento foi de 8 votos a 2 pela rejeição dos recursos. Além do relator, acompanharam o entendimento os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, André Mendonça, Luiz Fux, Flávio Dino e Nunes Marques. O grupo considerou que o trabalho do tribunal foi completo e satisfatório.
A divergência foi aberta pelos ministros Dias Toffoli e Edson Fachin. Ambos votaram pela suspensão dos processos que tratam do tema até que houvesse uma decisão final e definitiva do plenário, buscando uma alternativa para o impasse que se arrasta nos tribunais.
O futuro da ADI 2.111 e o cenário jurídico
Embora o recurso tenha sido negado, a discussão sobre a revisão da vida toda ainda não está encerrada. O presidente do STF, Edson Fachin, solicitou destaque no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 2.111, o que retira o caso do plenário virtual e o leva para o plenário físico da Corte.
Ainda não existe uma data definida para a retomada deste julgamento presencial. A incerteza mantém o tema em evidência, enquanto aposentados e especialistas aguardam os próximos passos do tribunal sobre a constitucionalidade das regras previdenciárias estabelecidas pela Lei 8.213/1991.
Contexto da reviravolta previdenciária
A mudança de entendimento do STF ocorreu em março de 2024, quando a Corte julgou ações de inconstitucionalidade contra a legislação previdenciária. Na ocasião, os ministros decidiram que a regra de transição implementada em 1999 é obrigatória, invalidando a opção pelo cálculo que considerasse todo o histórico de contribuições do trabalhador.
Anteriormente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) havia permitido que o segurado escolhesse o critério de cálculo que resultasse no maior benefício mensal. Com a nova orientação do Supremo, essa flexibilidade foi eliminada, consolidando a obrigatoriedade do modelo de transição vigente para os cálculos de aposentadoria.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


