Segurança pública no Brasil: apenas 32% dos brasileiros se sentem protegidos em suas cidades

Governo do Rio

A percepção de vulnerabilidade nas áreas urbanas brasileiras atingiu um patamar crítico, revelando um cenário onde a sensação de proteção é minoritária. De acordo com um levantamento recente realizado pelo Instituto Sou da Paz, apenas 32% da população afirma sentir-se segura no município onde reside. O dado expõe um desafio estrutural para as políticas de Estado, que enfrentam a pressão por resultados mais eficazes e menos pautados em discursos de radicalismo.

O estudo, conduzido pela Oma Pesquisa entre novembro e dezembro de 2025, ouviu 1.115 pessoas em todo o território nacional. A análise aponta que a demanda da sociedade por segurança pública está migrando para pautas de eficiência, prevenção e uso estratégico de tecnologia, afastando-se de soluções simplistas que, historicamente, não reduziram os índices de criminalidade.

A busca por eficiência e o papel da tecnologia

O levantamento indica que a sociedade brasileira valoriza a aplicação rigorosa das normas vigentes em vez de apenas endurecer o sistema penal. Enquanto 55% dos entrevistados defendem a aplicação plena das leis existentes para todos os infratores, apenas 39% acreditam que o aumento das penas seria a solução principal para o problema da violência.

No campo operacional, a tecnologia ganha protagonismo como ferramenta de controle e transparência. A maioria dos brasileiros, representando 82% dos consultados, manifestou apoio ao uso de câmeras corporais pelos agentes de segurança. Paralelamente, 65% dos participantes enfatizaram a necessidade urgente de investir em polícias mais qualificadas e valorizadas.

Percepção de risco e violência contra a mulher

O sentimento de insegurança é heterogêneo e atinge de forma mais severa o público feminino. Entre as mulheres, o índice de confiança na segurança local cai para 26%, reforçando a fragilidade enfrentada por esse grupo no cotidiano das cidades. Além disso, 83% dos entrevistados reconhecem a presença da violência contra a mulher em suas comunidades.

Para Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, o país vive um momento de transição na forma como encara a segurança. A especialista destaca que existe uma parcela silenciosa da população que prioriza resultados concretos e a eficácia das instituições, rejeitando promessas que não se traduzem em melhorias reais para a vida nas ruas.

Debate sobre armamento e controle de circulação

A relação entre a disponibilidade de armas e a criminalidade também foi objeto da pesquisa, revelando um posicionamento claro da sociedade. Cerca de 73% dos brasileiros acreditam que o aumento do número de armas em circulação contribui diretamente para elevar os níveis de violência no país.

A preocupação se estende à origem do armamento utilizado em crimes. Aproximadamente 77% dos entrevistados compreendem que armas adquiridas legalmente podem ser desviadas ou roubadas, tornando-se instrumentos de atos violentos. Esse entendimento reforça a necessidade de estratégias que foquem na retirada de armas ilegais de circulação como um dos pilares para reduzir os índices de criminalidade.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias Recentes

Compartilhe como preferir

Copiar Link
WhatsApp
Facebook
Email