Fim da escala 6×1 avança na Câmara e mobiliza pressão popular no Senado

© Valter Campanato/Agência Brasil

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a jornada de trabalho na escala 6×1 marca um momento decisivo para a legislação trabalhista brasileira. Após a votação expressiva na Câmara dos Deputados, o texto segue agora para análise no Senado, onde o movimento liderado pelo vereador Rick Azevedo busca manter o ritmo de pressão política para garantir a sanção definitiva da medida.

O resultado obtido na Câmara, com 461 votos favoráveis e apenas 19 contrários no segundo turno, é visto pelos articuladores como um termômetro da viabilidade da proposta. O texto, relatado pelo deputado Leo Prates, propõe a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, assegurando a manutenção dos salários e a implementação de duas folgas semanais, com preferência para os domingos.

Mobilização e pressão política no Senado

Com a vitória na Câmara, o foco dos movimentos sociais e sindicais deslocou-se para a articulação junto aos senadores. Rick Azevedo, figura central na criação do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), tem utilizado as redes sociais para convocar a base de apoio a pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, visando agilizar a tramitação da matéria na Casa.

A estratégia é evitar que o projeto perca tração ou sofra alterações que descaracterizem o objetivo original. O vereador reforçou que a mobilização popular será o principal motor para assegurar que o avanço conquistado pelos trabalhadores não seja interrompido durante a análise pelos senadores.

Trajetória do movimento e impacto social

O debate ganhou força nacional em setembro de 2023, após um desabafo gravado por Rick Azevedo, então balconista de farmácia, viralizar nas redes sociais. O vídeo expôs as dificuldades enfrentadas por milhões de brasileiros submetidos a jornadas exaustivas e com pouco tempo para o convívio familiar, pautando a necessidade de uma reforma nas relações de trabalho.

A partir dessa repercussão, o movimento VAT angariou mais de 3 milhões de assinaturas, consolidando-se como uma força política relevante. A pauta foi rapidamente incorporada por parlamentares, como a deputada Erika Hilton, e pelo governo federal, que em abril de 2026 enviou ao Congresso um projeto de lei com urgência para tratar da redução da jornada.

Perspectivas para o mercado de trabalho

A possível mudança na legislação gera expectativas distintas entre trabalhadores e o setor empresarial. Enquanto defensores da medida argumentam que a redução da jornada promove mais qualidade de vida e saúde mental, setores econômicos debatem os impactos operacionais e a necessidade de adaptação das empresas ao novo modelo de 40 horas semanais.

O governo federal também avalia os desdobramentos da proposta, incluindo possíveis incentivos para a contratação via MEI. A expectativa é que, caso aprovada, a medida represente a maior alteração nos direitos trabalhistas desde a Constituição de 1988, redefinindo o equilíbrio entre produtividade e tempo livre para o trabalhador brasileiro. Mais informações sobre o andamento da proposta podem ser acompanhadas pelo portal da Agência Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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