Mobilização nacional reivindica ampliação de direitos e tratamento para fibromialgia

Valter Campanato/Agência Brasil" title="Valter Campanato/Agência Brasil">

Mobilização nacional reivindica ampliação de direitos e tratamento para fibromialgia

Uma série de atividades realizadas neste domingo (17) em diversas cidades brasileiras colocou em evidência a urgência por melhores políticas públicas voltadas aos pacientes com fibromialgia. O movimento busca sensibilizar a sociedade e o poder público sobre a necessidade de garantir tratamentos especializados e o cumprimento efetivo de direitos assegurados por lei no Sistema Único de Saúde (SUS).

Em Brasília, o Parque da Cidade foi o cenário de uma mobilização que ofereceu suporte prático e informativo. Participantes tiveram acesso a sessões de acupuntura, técnicas de liberação miofascial e orientações sobre fisioterapia e suporte psicológico. O evento serviu como um espaço de conscientização sobre uma síndrome que, embora crônica, ainda enfrenta barreiras significativas para o diagnóstico precoce e a assistência continuada.

Desafios da invisibilidade e a luta por políticas públicas

A fibromialgia é caracterizada por dores musculares e articulares difusas, frequentemente acompanhadas de fadiga intensa, distúrbios do sono e alterações cognitivas. Por não apresentar inflamações visíveis ou deformações físicas, a condição é frequentemente subestimada, o que gera um impacto profundo na qualidade de vida e na capacidade produtiva dos pacientes.

A servidora pública Ana Dantas, uma das organizadoras da mobilização, ressalta que a invisibilidade da dor é um dos maiores obstáculos enfrentados pela comunidade. Segundo ela, o objetivo central das ações é pressionar o Estado para que as diretrizes previstas na legislação federal de 2023 saiam do papel e se traduzam em atendimento multidisciplinar efetivo dentro da rede pública de saúde.

O cenário legal e a barreira da burocracia

Embora o Brasil tenha avançado com a criação de uma lei federal que estabelece diretrizes para o atendimento no SUS, a realidade dos pacientes ainda é marcada por entraves. A legislação prevê que pessoas com fibromialgia tenham acesso a direitos similares aos da Pessoa com Deficiência (PcD), incluindo o auxílio por incapacidade temporária e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), mediante avaliação biopsicossocial.

Contudo, a enfermeira Flávia Lacerda aponta que o acesso a esses benefícios permanece excessivamente burocrático. A falta de conhecimento de muitos profissionais de saúde sobre a legislação vigente impede que pacientes recebam o acolhimento necessário, tornando a aplicação da lei um desafio constante para quem convive com as limitações impostas pela síndrome.

Abordagem multidisciplinar para o controle da síndrome

O tratamento da fibromialgia exige uma estratégia combinada, visto que não há cura definitiva para a condição. Especialistas enfatizam que a combinação de medicamentos para o controle da dor e do sono, aliada a exercícios físicos regulares — como caminhadas e hidroginástica —, é essencial para a manutenção da autonomia do paciente.

A psicóloga Mariana Avelar destaca a importância da psicoeducação nesse processo. Ao compreender as limitações impostas pela doença, o paciente consegue desenvolver estratégias de enfrentamento que preservam sua autoestima e bem-estar. O acolhimento especializado e a rede de apoio são fundamentais para que o indivíduo consiga manter uma rotina ativa, apesar das oscilações causadas pela síndrome.

Para mais informações sobre a rede de atendimento, consulte o portal oficial da Agência Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias Recentes

Compartilhe como preferir

Copiar Link
WhatsApp
Facebook
Email