Contaminação em São Tomé do Paripe completa 100 dias sob protestos e impasse ambiental

Jocivaldo Nascimento.

A comunidade de São Tomé do Paripe, em Salvador, Bahia, enfrenta um cenário crítico que se estende por 100 dias. O que começou com relatos de odores fortes de amônia na orla evoluiu para a descoberta de um líquido fétido e esverdeado sob a areia, comprometendo o ecossistema local e o sustento de milhares de moradores que dependem da pesca e do comércio marítimo.

contaminacao: cenário e impactos

O problema, identificado inicialmente em 19 de fevereiro, transformou a rotina da região em um estado de alerta constante. Com a área classificada como imprópria para banho e atividades pesqueiras, a população local, composta por famílias de pescadores e remanescentes quilombolas, clama por medidas urgentes de remediação e suporte financeiro diante da perda de sua principal fonte de renda.

Investigação ambiental e responsabilidades corporativas

O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) confirmou, por meio de laudos técnicos, a presença de concentrações elevadas de metais, com destaque para o cobre, e compostos nitrogenados na água e nos sedimentos. A investigação aponta para o Terminal Marítimo de Granéis (TMG) como a fonte da contaminação, levando à suspensão das atividades no local.

O Ministério Público da Bahia (MPBA) investiga a responsabilidade da operadora atual, a Terminal Itapuã – Intermarítima, e da Gerdau, que gerenciou a área até 2022. A promotora de justiça Hortênsia Gomes Pinho afirma que já existem provas do nexo causal e da autoria das empresas, defendendo a implementação imediata de uma barreira hidráulica para conter o avanço dos resíduos químicos.

Ação judicial e assistência às famílias afetadas

Uma ação pública conjunta, envolvendo o Ministério Público Federal, o Ministério Público Estadual e a Defensoria Pública Federal, deve ser protocolada na Justiça Federal nos próximos 15 dias. O objetivo é compelir as empresas responsáveis a adotarem medidas de descontaminação e a fornecerem auxílio emergencial às famílias impactadas.

A promotora Hortênsia Gomes Pinho ressalta a necessidade de um decreto de emergência que inclua um cadastro confiável das vítimas. Segundo estimativas do órgão, pelo menos 10,7 mil pessoas foram diretamente afetadas pela crise ambiental, que ameaça a saúde pública e a segurança alimentar da comunidade de São Tomé do Paripe.

Impacto social e denúncias de racismo ambiental

A vereadora Eliete Paraguassu tem atuado junto às autoridades para denunciar o que classifica como racismo ambiental. A parlamentar destaca que a negligência frente ao desastre ignora a vulnerabilidade de uma comunidade tradicional, cujos impactos já se espalham pela Baía de Todos os Santos, com registros de peixes e tartarugas mortas em outras praias de Salvador.

Moradores como o eletrotécnico Jocivaldo Nascimento relatam que o problema é histórico, citando anos de descaso com o transporte de fertilizantes no terminal. A falta de perspectivas e a interrupção das atividades econômicas geram um clima de penúria, conforme relata a moradora Daniela Vasconcelos, que exige reparação imediata para os pescadores locais.

Mais detalhes sobre o caso podem ser acompanhados através da Agência Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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