BNDES projeta mobilizar R$ 6 bilhões para o mercado de crédito de carbono

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

BNDES projeta mobilizar R$ 6 bilhões para o mercado de crédito de carbono

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) oficializou o lançamento da segunda etapa do programa ProFloresta+, uma iniciativa estratégica voltada ao fortalecimento do mercado de crédito de carbono no Brasil. Com esta nova fase, a instituição financeira federal estima mobilizar até R$ 6 bilhões, consolidando o compromisso do país com a agenda de sustentabilidade e transição ecológica.

O anúncio ocorreu durante o 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, realizado na sede do banco, no Rio de Janeiro. A iniciativa busca conectar o setor privado a projetos de restauração ambiental, criando um ecossistema onde a preservação da natureza gera valor econômico tangível para empresas que buscam compensar suas emissões de gases de efeito estufa.

Estratégia de atuação e fomento à restauração

A operação do ProFloresta+ baseia-se em duas frentes complementares. O banco atua na mediação entre empresas interessadas em adquirir créditos de carbono e os responsáveis por projetos ambientais, organizando leilões que garantem a transparência e a liquidez das transações. Simultaneamente, o BNDES oferece linhas de financiamento para viabilizar projetos de recuperação vegetal, essenciais para a geração desses ativos.

A meta de restauração é ambiciosa, prevendo o alcance de até 60 mil hectares de vegetação recuperada. Para contextualizar a magnitude deste esforço, a área planejada supera em 38% a extensão territorial total da cidade de Curitiba. A expectativa é que essa nova etapa do programa resulte na captura de aproximadamente 19 milhões de toneladas de CO2 da atmosfera.

Dinâmica do mercado de carbono e compensação

O mercado de carbono funciona como um mecanismo de compensação para passivos ambientais. Projetos que promovem o reflorestamento ou a preservação de áreas nativas realizam o chamado sequestro de carbono, impedindo que o gás carbônico contribua para o aquecimento global. Esse benefício ambiental é convertido em créditos negociáveis no mercado.

Empresas de diversos setores, cujas atividades econômicas geram emissões de CO2, utilizam esses créditos para neutralizar seu impacto ambiental. O modelo permite que companhias com metas rigorosas de descarbonização alcancem seus objetivos de sustentabilidade enquanto investem diretamente na recuperação de biomas brasileiros, abrangendo agora todas as regiões do país.

Engajamento corporativo e perspectivas futuras

A primeira etapa do programa, iniciada em março de 2025, contou com o protagonismo da Petrobras, que se comprometeu com o aporte de R$ 450 milhões para a compra de créditos na Amazônia. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou que a nova fase visa atrair uma gama mais ampla de interessados, incluindo siderúrgicas, empresas químicas e companhias dos setores de óleo e gás.

Além do capital nacional, o banco observa um interesse crescente de corporações internacionais pelo mercado brasileiro. O ministro do Meio Ambiente e Mudança de Clima, João Paulo Ribeiro Capobianco, reforçou que a atual política pública busca integrar o desenvolvimento econômico à conservação ambiental, eliminando a percepção de contradição entre esses dois pilares fundamentais para o futuro do país. Para mais detalhes sobre o setor, consulte a Agência Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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