A chegada das temperaturas mais baixas traz consigo uma série de desafios para quem convive com a asma. Embora o frio por si só não seja o causador direto do agravamento da doença, o comportamento social e as mudanças no ambiente doméstico criam um cenário propício para o surgimento de crises respiratórias. Especialistas alertam que a manutenção rigorosa do tratamento é a principal estratégia para garantir que a inflamação brônquica permaneça sob controle durante todo o período.
O coordenador da Comissão Científica de Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Emilio Pizzichini, destaca que o inverno potencializa a circulação de vírus respiratórios. Quando o paciente não mantém o tratamento preventivo, qualquer infecção viral atua como um gatilho adicional, sobrecarregando os brônquios e elevando o risco de complicações severas. A vacinação contra Influenza, Covid-19 e o vírus sincicial respiratório (VSR) é apontada como uma medida fundamental para evitar hospitalizações.
Impacto das infecções virais e aglomerações no inverno
A dinâmica social típica do inverno, marcada pela permanência em ambientes fechados e com pouca ventilação, facilita a propagação de patógenos. Segundo o alergista e imunologista Pedro Giavina-Bianchi, da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), o aumento da prevalência de infecções virais nesta época é o fator determinante para o crescimento das crises de asma. O especialista reforça que o distanciamento de pessoas com sintomas gripais e o uso de máscaras são estratégias eficazes para reduzir a exposição a vírus como o rinovírus e o influenza.
Vulnerabilidade de crianças e adolescentes
Os dados do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), analisados pela organização Umane, revelam uma preocupação central com o público infantojuvenil. Em julho de 2024, crianças e adolescentes de 0 a 14 anos representaram 70,5% das internações por asma no país, totalizando 4.034 casos. Ao longo de todo o ano de 2024, esse grupo demográfico foi responsável por 73,7% das 52.087 internações registradas, evidenciando a necessidade de um acompanhamento mais próximo na atenção primária.
Estratégias de manejo e controle de gatilhos domésticos
A pneumologista Marcela Marques, da Umane, enfatiza que a organização do ambiente doméstico é crucial para minimizar os riscos. A recomendação é manter a casa arejada, permitindo a entrada de luz solar para evitar a proliferação de mofo e umidade. É aconselhável substituir cobertores por edredons, evitar o acúmulo de bichos de pelúcia nos quartos e priorizar a limpeza com panos úmidos ou aspiradores, em vez de varrer o ambiente, para não suspender partículas de poeira.
Além dos cuidados com o ambiente, a proteção contra o tabagismo passivo é indispensável. A exposição à fumaça de cigarros convencionais, eletrônicos ou narguilés é um dos fatores mais críticos para o desencadeamento de crises. A orientação médica é clara: famílias devem ser instruídas sobre planos de ação para crises e a importância de iniciar o tratamento preventivo logo após o primeiro diagnóstico, evitando que a condição evolua para quadros de internação hospitalar. Para mais informações sobre saúde respiratória, consulte a Agência Brasil.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


