A força produtiva das Amélias da Amazônia
Na comunidade São Domingos, situada no coração da Floresta Nacional do Tapajós, no Oeste do Pará, um grupo de mulheres redefiniu o conceito de autonomia financeira. Desde 2016, as Amélias da Amazônia transformam a extração do óleo de andiroba em uma atividade que une saberes ancestrais a uma produção sustentável de biocosméticos. O processo, inteiramente manual, respeita o ciclo natural da floresta, onde a árvore lança seus frutos maduros ao solo, iniciando um ciclo de coleta e beneficiamento que dura cerca de três meses.
O coletivo, composto por 16 pessoas e liderado pelas irmãs Marileide da Silva Monteiro, Marilene Dias da Silva e Marcilene, superou estigmas sociais ao adotar o nome da marca. Ao ressignificar o estereótipo de submissão associado ao termo, elas assumiram o protagonismo de um negócio que exige força física e dedicação, desde o manejo da terra até a produção de sabonetes, velas e repelentes. A iniciativa não apenas gera renda para as famílias, mas também garante a preservação do ecossistema local.
Ciência e valor agregado na bioeconomia
A produção ribeirinha encontrou um parceiro estratégico na Mahá Biocosméticos, empresa idealizada pelas farmacêuticas Melissa Karen Lage e Bruna de Souza. Criada durante a graduação na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), a marca foca em produtos capilares de alto valor agregado, utilizando ativos amazônicos como substitutos de matérias-primas importadas. A transição do uso de babosa para óleos de andiroba e castanha-do-pará marcou uma mudança de paradigma, priorizando insumos nativos e o fortalecimento das cadeias produtivas regionais.
O negócio ganhou escala com o apoio do programa Inova Amazônia, que garantiu um aporte de R$ 36 mil, e o suporte da OKA Hub, uma incubadora de startups instalada na floresta. Segundo Agência Brasil, a parceria entre a academia e as comunidades tradicionais é o pilar que sustenta a proposta de manter a floresta em pé, garantindo que o valor gerado pelos produtos retorne diretamente aos produtores locais.
Transmissão de saberes e futuro sustentável
A sustentabilidade do projeto das Amélias da Amazônia está garantida pela integração das novas gerações. Silvia Gabrielly, de 23 anos e filha de Marileide, é um exemplo dessa transição. Atuando como agente ambiental no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e cursando tecnologia ambiental, ela aplica conhecimentos acadêmicos na gestão e na divulgação digital do coletivo. O objetivo é claro: profissionalizar a administração e expandir o alcance dos produtos, garantindo que a tradição familiar continue sendo uma fonte de dignidade e sustento para a comunidade.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


