Cannabis medicinal ganha espaço em debate na Assembleia Legislativa do Ceará

© Tomaz Silva/Agência Brasil

A Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) tornou-se o palco central para o 2º Simpósio Cearense de Cannabis Medicinal. O evento, que reúne pesquisadores, especialistas e representantes de órgãos públicos, busca aprofundar o conhecimento técnico e científico sobre as aplicações terapêuticas da planta, destacando o interesse crescente da sociedade e do setor acadêmico no tema.

Com todas as vagas esgotadas, o encontro reflete a urgência de discussões sobre o acesso a tratamentos baseados em substâncias canabinoides. A programação, estruturada em dois dias, abrange desde o rigor científico até as práticas integrativas e o papel das comunidades tradicionais no uso da cannabis.

Perspectivas científicas e o papel do SUS

O simpósio dedica eixos fundamentais para analisar a viabilidade da integração da cannabis no Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os temas abordados, destacam-se os desafios legais e regulatórios que permeiam a implementação de políticas públicas, além da aplicação da substância em áreas como psiquiatria, controle da dor e medicina veterinária.

Um dos pontos altos da agenda é a análise da produção local. O debate sobre a integração da planta nas Farmácias Vivas e na agricultura familiar aponta para um modelo de sustentabilidade que pode beneficiar pacientes em todo o estado, garantindo que o acesso seja mediado por prescrição médica e amparo científico.

Diálogo com a sociedade e povos originários

O evento também reserva espaço para a troca de experiências com povos originários, como os kaxinawá, também conhecidos como huni kuin. Essa abordagem multicultural busca resgatar saberes ancestrais que, aliados à ciência contemporânea, oferecem novas perspectivas sobre o uso terapêutico da cannabis em diferentes ciclos da vida, incluindo a gestação e o pós-parto.

Audiência pública sobre o Projeto de Lei 1014/2023

O encerramento do simpósio será marcado por uma audiência pública decisiva no auditório Murilo Aguiar. O foco central é o Projeto de Lei 1014/2023, que propõe a criação de uma política estadual voltada para a pesquisa, capacitação da rede pública e o fornecimento de medicamentos à base de cannabis pelo SUS.

A iniciativa conta com o suporte de instituições de renome, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Ceará, o Conselho Estadual de Saúde do Ceará (Cesau) e a Universidade Federal do Ceará (UFC). A população pode acompanhar os desdobramentos dessa discussão através dos canais oficiais da Assembleia Legislativa.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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