Defensor público é exonerado após áudio com teor religioso e cobrança de submissão

Defensor público é exonerado após áudio com teor religioso e cobrança de submissão

A Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso oficializou a exoneração do defensor público Rogério Borges Freitas do cargo de 1º subdefensor público-geral. A decisão ocorre após a divulgação de um áudio em que o magistrado aparece orientando uma servidora a manter uma postura de “submissão” no ambiente de trabalho, utilizando passagens da Bíblia Sagrada para fundamentar suas críticas ao comportamento da profissional.

O conteúdo do áudio e as críticas ao comportamento

Na gravação, que ganhou repercussão nacional após ser divulgada pelo portal Metrópoles, o defensor questiona a postura da servidora, a quem acusa de possuir um “espírito faccioso”. O magistrado afirma que a mulher teria uma “língua grande” e sugere que ela deveria permanecer em silêncio durante o expediente para evitar conflitos.

Durante a conversa, Rogério Borges Freitas insiste que a servidora deve evitar posturas de “adversidade ou rebeldia”. Ele argumenta que, embora tenha apreço pessoal pela colaboradora, certos comportamentos precisariam ser ajustados para que ela pudesse permanecer no setor onde atuava.

Uso de textos bíblicos para repreensão

O episódio ganha contornos mais complexos pela utilização de preceitos religiosos pelo defensor. Ao ler trechos das escrituras, o magistrado associa a fala da servidora ao conteúdo de seu “coração”, sugerindo que as críticas feitas por ela seriam reflexo de uma natureza interna negativa.

A leitura do texto bíblico serviu como um argumento de autoridade dentro da dinâmica de poder estabelecida no diálogo. O defensor utilizou a passagem para reforçar a ideia de que a servidora deveria filtrar suas falas e adotar uma postura mais contida, alinhada às expectativas da chefia imediata.

Desdobramentos administrativos e apuração

Antes da exoneração definitiva anunciada no último domingo, a instituição já havia determinado o afastamento cautelar do defensor em 13 de maio, por um período inicial de 60 dias. A medida visava garantir a lisura das investigações diante das denúncias de assédio moral e sexual que pesam contra o ex-subdefensor.

A Defensoria Pública informou que as denúncias seguem sob apuração da Corregedoria-Geral. Em nota oficial, o órgão reforçou que não comenta procedimentos sigilosos, mas destacou que a Comissão de Prevenção, Tratamento e Enfrentamento do Assédio Moral e do Assédio Sexual permanece ativa para acolher possíveis novas vítimas e testemunhas do caso.

Fonte: olhardireto.com.br

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