Queda histórica nas emissões globais
O observatório europeu Copernicus revelou um dado relevante sobre o clima global nesta segunda-feira (6). O primeiro semestre de 2026 registrou o menor nível de emissões de gases de efeito estufa provenientes de incêndios desde o início da série histórica, em 2003.
No período compreendido entre 1º de janeiro e 30 de junho, o volume total foi inferior a 400 megatoneladas de carbono. Para efeito de comparação, no início das medições, em 2003, o valor superava a marca de um gigaton de carbono, sendo que o índice nunca havia ficado abaixo de 500 megatoneladas até o momento.
Impacto da redução na África e Ásia
A retração nas emissões é sustentada principalmente pela diminuição dos incêndios sazonais em regiões tropicais. De acordo com o Sistema Global de Assimilação de Incêndios (GFAS), a África registrou cerca de 154 megatoneladas de carbono neste semestre, contra 213 megatoneladas no mesmo período de 2025.
A Ásia apresentou um comportamento semelhante, reduzindo suas emissões de 164 para 113 megatoneladas de carbono. Enquanto isso, a América do Sul, que historicamente contribui com volumes menores, também registrou queda, passando de 40,9 para 38,8 megatoneladas de carbono.
Desafios climáticos e o fenômeno El Niño
Apesar dos números positivos do semestre, especialistas alertam para riscos iminentes. O cientista sênior do Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus, Mark Parrington, aponta que incêndios recentes na Eurásia e na América do Norte servem como um alerta para o segundo semestre.
A preocupação central reside na influência do fenômeno El Niño, que pode alterar as condições climáticas e intensificar secas sazonais. O histórico de 2015 e 2019 demonstra que o fenômeno tem potencial para elevar as emissões globais, especialmente devido à queima de biomassa na Indonésia, que historicamente degrada a qualidade do ar em nível regional.
Tecnologia de monitoramento e previsão
O sistema utilizado pelo Copernicus baseia-se em observações de satélites para calcular a potência dos incêndios florestais. Essa metodologia permite determinar com precisão a emissão de carbono e outros poluentes atmosféricos.
A integração desses dados com as projeções do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) é essencial para antecipar a evolução dos focos de incêndio. O monitoramento contínuo permanece como a principal ferramenta para compreender as mudanças nos padrões de queima ao redor do planeta.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


