A 4ª Parada LGBTQIA+ ocupou os Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, neste domingo (28), trazendo para o centro do debate público a necessidade de fortalecimento da comunidade nas esferas de poder. Sob o tema “Nosso Orgulho Também se Defende nas Urnas”, o evento marcou o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ com uma mensagem clara sobre a importância da participação ativa no processo eleitoral de 2026.
Mobilização política e a busca por representatividade no Legislativo
O evento serviu como plataforma para o lançamento de um manifesto que clama por uma presença mais expressiva de representantes da população LGBT no Congresso Nacional. Segundo lideranças presentes, o momento exige a eleição de parlamentares que possuam compromisso real com a democracia e com os direitos sociais, distanciando-se de agendas contrárias aos interesses da classe trabalhadora.
Indianarae Siqueira, fundadora da Casa Nem, enfatizou que o voto é uma ferramenta de resistência. O manifesto defende pautas econômicas e sociais, como o fim da escala 6×1, a implementação de um salário mínimo de R$ 2 mil e a garantia de políticas públicas de saúde e educação, além de fomentar a empregabilidade para pessoas trans.
O desafio da ausência de leis específicas e a dependência do Judiciário
Um dos pontos críticos levantados durante a mobilização é a carência de um arcabouço legislativo robusto que proteja a comunidade. Marcio Villard, coordenador do Grupo Pela Vidda do Rio de Janeiro, ressaltou que, atualmente, a proteção aos direitos LGBTQIA+ depende excessivamente de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e de instâncias judiciais, em vez de leis aprovadas pelo Legislativo.
Essa lacuna legislativa, segundo os organizadores, contribui para a persistência da violência e para a subnotificação de crimes. Mesmo com a equiparação da LGBTfobia ao crime de racismo, a aplicação prática das garantias legais ainda enfrenta barreiras significativas no cotidiano da população, o que torna a ocupação de espaços políticos uma prioridade estratégica para o movimento.
Segurança, direitos humanos e ações sociais na Lapa
A Parada não se limitou ao discurso político, funcionando também como um polo de assistência e visibilidade. Coletivos de diversas instituições, como a UFRJ, UERJ e UFF, uniram-se para reivindicar segurança pública para mulheres, pessoas negras e periféricas, combatendo a estigmatização desses grupos como alvos da violência estatal.
Além das pautas reivindicatórias, o evento ofereceu serviços essenciais de saúde, incluindo a realização de testes rápidos para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), além da distribuição de insumos de prevenção. Uma feira com 30 empreendedores LGBTQIA+ também integrou a programação, destacando a força econômica e a criatividade da comunidade no cenário carioca. Para mais informações sobre as pautas do movimento, consulte a Agência Brasil.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


