Dólar fecha em queda e atinge patamar de R$ 5,13 com ajuste no mercado financeiro

© Valter Campanato/Agência Brasil

O mercado financeiro brasileiro apresentou um comportamento distinto nesta segunda-feira (6), marcado por um movimento de ajuste de posições entre investidores. Enquanto a moeda americana registrou sua terceira queda consecutiva, atingindo o menor valor em quase três semanas, a bolsa de valores nacional seguiu um caminho oposto, descolando-se do otimismo observado nos mercados dos Estados Unidos.

Desempenho do câmbio e influência externa

O dólar comercial encerrou o pregão cotado a R$ 5,132, consolidando o menor fechamento desde o dia 17 de junho. A ausência de indicadores econômicos de peso no cenário doméstico permitiu que o mercado de câmbio fosse guiado majoritariamente por fatores externos e pela performance das commodities. A valorização de produtos como soja e minério de ferro, somada ao desempenho robusto das exportações de carne, favoreceu o fluxo de entrada de divisas no país.

Além disso, a perda de força da moeda americana frente a outras divisas globais contribuiu para o fortalecimento do real. No acumulado de julho, a moeda registra queda de 0,60%, enquanto a desvalorização frente ao real em 2026 já atinge 6,50%. O mercado agora concentra suas atenções na divulgação da ata do Federal Reserve, prevista para quarta-feira (8), que deve sinalizar os próximos passos da política monetária americana.

Ibovespa em queda e cautela doméstica

Diferente do cenário cambial, o Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o dia em queda de 0,93%, aos 172.447,58 pontos. O recuo ocorreu mesmo com o desempenho positivo das bolsas estadunidenses, que foram impulsionadas por empresas do setor de tecnologia e inteligência artificial. Esse descompasso reflete a preferência do capital estrangeiro por mercados mais maduros em detrimento de economias emergentes.

Internamente, a cautela dos investidores é alimentada por uma combinação de fatores políticos e econômicos. A proximidade das eleições de 2026, as incertezas sobre a política fiscal para o período pós-2027 e o início de audiências nos Estados Unidos sobre práticas comerciais brasileiras criaram um ambiente de maior aversão ao risco na bolsa brasileira.

Mercado de energia e perspectivas

Os preços do petróleo também registraram leve baixa no mercado internacional, influenciados por decisões estratégicas da Opep+, que planeja elevar a produção a partir de agosto. A normalização do tráfego no Estreito de Ormuz e o aumento das exportações russas ajudaram a pressionar as cotações para baixo.

O barril do tipo Brent fechou a US$ 71,99, com queda de 0,18%, enquanto o WTI encerrou a US$ 68,55, recuando 0,20%. O mercado aguarda agora a divulgação do IPCA de junho, na sexta-feira (10), que será fundamental para calibrar as expectativas sobre a trajetória dos juros no Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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