Câmara de Várzea Grande abre processo contra vereador Bruno Rios por obstrução

Câmara de Várzea Grande abre processo contra vereador Bruno Rios por obstrução

O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), determinou o envio do vereador Bruno Rios (PL) à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. A medida, oficializada em 2 de julho, decorre de um relatório de sindicância que investigou a suposta instalação de uma escuta clandestina no gabinete do parlamentar, que atua como líder da prefeita Flávia Moretti (PL).

Investigação sobre obstrução e conduta parlamentar

A decisão de Wanderley Cerqueira baseia-se na conclusão de que houve uma obstrução deliberada durante a apuração interna. O relatório aponta que Bruno Rios não apenas se recusou a prestar depoimento, mas também teria orientado seus assessores a adotarem a mesma postura, dificultando o esclarecimento dos fatos pela comissão processante.

Como desdobramento, foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra seis servidores vinculados ao gabinete do vereador. O objetivo é apurar a responsabilidade funcional de cada um pela recusa em colaborar com a sindicância, que buscava entender a origem do dispositivo encontrado no local de trabalho do parlamentar.

Quebra de custódia e impasse na perícia

A sindicância interna enfrentou obstáculos técnicos significativos. Segundo o documento, a chamada cadeia de custódia do equipamento foi irremediavelmente comprometida, uma vez que o objeto foi manuseado antes de passar por uma perícia oficial. Essa falha impediu que a comissão confirmasse a materialidade ou a autoria do suposto crime de espionagem.

O caso teve início em maio, quando Bruno Rios registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil após localizar um aparelho, que ele descreveu como um dispositivo de captação de áudio, escondido na canaleta do ar-condicionado de seu gabinete. O vereador afirmou ter iniciado a busca após notar que estratégias políticas internas estavam sendo vazadas para outros grupos legislativos.

Defesa e investigação paralela

Em nota oficial, Bruno Rios afirmou que ainda não foi formalmente notificado sobre a abertura do PAD ou de outros procedimentos disciplinares. O vereador argumenta que sua decisão de não depor na comissão interna foi motivada pela existência de uma investigação paralela conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso, que já apura o mesmo episódio.

O parlamentar reforçou que não houve intenção de desrespeitar os trabalhos legislativos ou obstruir a justiça, mas sim uma cautela jurídica diante da atuação da polícia. O material apreendido foi encaminhado para análise da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), cujos resultados definitivos permanecem sob sigilo ou ainda não foram concluídos.

Fonte: olhardireto.com.br

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