O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca nesta terça-feira (30) em Assunção, no Paraguai, para participar da 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados. O encontro diplomático de alto nível tem como foco central o aprofundamento da integração regional, buscando fortalecer tanto os laços comerciais quanto as agendas sociais e de desenvolvimento entre as nações integrantes.
A cúpula representa um momento estratégico para o bloco, que detém 73% do território sul-americano e concentra cerca de 65% da população da região. Segundo dados oficiais, o grupo responde por aproximadamente 70% do Produto Interno Bruto (PIB) da América do Sul, consolidando-se como um pilar fundamental para a estabilidade econômica do continente.
Integração comercial e dados econômicos do bloco
O cenário econômico do Mercosul apresenta números expressivos que balizam as discussões em Assunção. Em 2025, as exportações brasileiras destinadas aos países do bloco totalizaram quase US$ 26 bilhões, representando 7,5% do volume total de vendas externas do país.
O dinamismo do comércio com o restante do mundo também foi destacado pelo Palácio do Planalto. A corrente de comércio extrazona atingiu US$ 757 bilhões no último ano, com um crescimento de 8% no primeiro quadrimestre de 2026, comparado ao mesmo período de 2025.
Avanços na facilitação de documentos e sistemas digitais
Um dos pontos principais da agenda é a assinatura de um acordo para o reconhecimento da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN). A medida facilitará o trânsito de cidadãos entre os países-membros e Estados associados, simplificando os processos de entrada nas fronteiras.
Além disso, será firmado um protocolo de reconhecimento mútuo de meios de identificação e autenticação eletrônica. A iniciativa visa aproximar sistemas digitais, como a plataforma brasileira Gov.br, dos mecanismos de segurança adotados pelos demais países do bloco, modernizando a burocracia regional.
Segurança pública e combate à violência de gênero
A pauta de segurança pública ganha destaque com a apresentação, pelo governo brasileiro, de uma proposta de pacto regional voltado ao combate ao feminicídio e à violência contra as mulheres. O projeto busca criar uma rede de proteção coordenada entre os países vizinhos.
Esta ação integra-se aos esforços já em curso da Estratégia Mercosul contra o Crime Organizado Transnacional. O combate a redes criminosas que operam além das fronteiras nacionais permanece como uma das prioridades absolutas para a estabilidade da região.
Investimentos no Fundo para a Convergência Estrutural
O governo brasileiro confirmou o anúncio de um aumento na contribuição ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem). O instrumento é vital para reduzir assimetrias entre os países, financiando obras de infraestrutura, saneamento, habitação e projetos de energia.
O bloco é composto atualmente por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, com a Venezuela sob suspensão. A lista de Estados associados inclui Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Panamá, Peru e Suriname.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


