O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) oficializou a decisão de solicitar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o reforço de tropas federais para atuar durante o pleito deste ano. A medida, aprovada por unanimidade pelo plenário da Corte na quinta-feira (9), visa assegurar a integridade do processo democrático em áreas do estado marcadas por instabilidade na segurança pública.
Necessidade de tropas federais em territórios sob controle armado
A justificativa para o pedido baseia-se no cenário de controle territorial exercido por organizações criminosas em diversos municípios fluminenses. Segundo o presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, a presença de grupos armados em comunidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro compromete a liberdade do eleitorado.
O magistrado classificou a situação como um fenômeno estrutural, ressaltando que a coação, ainda que silenciosa, contamina a manifestação da vontade popular. O tribunal entende que, nessas condições, o exercício do direito constitucional ao voto livre fica vulnerável, exigindo uma intervenção que garanta a lisura do processo eleitoral.
Alinhamento institucional e cooperação entre esferas
A solicitação segue rigorosamente os trâmites estabelecidos pela Resolução TSE 21.843/2004. O normativo exige que o deslocamento de forças federais seja condicionado à manifestação do governo estadual sobre a insuficiência das forças de segurança locais.
O governador interino Ricardo Couto declarou apoio à iniciativa após reuniões com a cúpula da Justiça Eleitoral. O diálogo entre as autoridades buscou alinhar as necessidades logísticas para o primeiro turno, agendado para o dia 4 de outubro, e o eventual segundo turno, previsto para 25 de outubro.
Trâmites para a operação de segurança
Caso o plenário do TSE valide o pedido do TRE-RJ, o processo seguirá para requisição formal junto ao Ministério da Defesa. Somente após essa etapa o tribunal poderá estabelecer contato direto com o comando local das forças federais para definir o planejamento tático e a distribuição do efetivo nas zonas eleitorais críticas.
O histórico de colaboração entre as esferas federal e estadual no Rio de Janeiro é recorrente. Desde 2012, o estado tem adotado o auxílio de tropas federais como medida de precaução para mitigar riscos de tumultos e garantir que o cidadão possa exercer seu voto sem interferências externas.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


