Seca nas regiões centrais ameaça produtividade da segunda safra de milho

© Arquivo/Agência Brasil

O trimestre composto por julho, agosto e setembro deve consolidar uma tendência de seca nas regiões centrais do Brasil, gerando preocupações sobre o desempenho da segunda safra de milho e a manutenção das pastagens. De acordo com o Boletim Agroclimatológico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o cenário climático é influenciado por fenômenos como o El Niño e variações nas temperaturas do Oceano Atlântico.

Enquanto o centro do país enfrenta o déficit hídrico, áreas do norte da Região Norte, faixa litorânea do Nordeste e partes da Região Sul devem manter acumulados de chuva expressivos. Essa disparidade climática exige monitoramento constante, visto que o armazenamento de água no solo em diversas regiões já apresenta níveis críticos, abaixo de 15% da capacidade de água disponível.

Impactos da seca na segunda safra de milho e pastagens

A escassez de chuvas no Centro-Oeste e em partes do Tocantins, Amapá e sudeste do Pará cria um cenário de risco para as lavouras tardias. Embora o déficit hídrico possa auxiliar na maturação e colheita do milho e sorgo em estágios avançados, ele compromete severamente o desenvolvimento de plantios tardios e a produtividade das pastagens.

O impacto na pecuária é uma preocupação imediata, com a redução da oferta de forragem afetando o rebanho no curto e médio prazo. Paralelamente, a umidade do ar mais baixa na região central favorece a cultura do algodão, que se encontra em fase de maturação, mas eleva os custos de produção da proteína animal devido à pressão sobre a oferta de grãos.

Desafios climáticos e fitossanitários no Sul e Nordeste

Na Região Sul, o desafio é oposto: o excesso de precipitação. Embora garanta reservas hídricas, a frequência de chuvas e a menor radiação solar criam um ambiente propício para doenças fúngicas. Produtores devem redobrar a atenção com o manejo fitossanitário, já que o clima úmido dificulta a aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas.

No Nordeste, a previsão aponta temperaturas até 2°C acima da média histórica em estados como Maranhão, Bahia e Piauí. O cenário é particularmente delicado para as lavouras de milho e feijão de terceira safra cultivadas em sistema de sequeiro, onde a alta evapotranspiração pode prejudicar a floração e o enchimento dos grãos, especialmente no eixo Sealba.

Gestão de recursos hídricos e temperaturas elevadas

O aumento das temperaturas, projetado para grande parte do território nacional, coloca pressão sobre os reservatórios de água, especialmente na Região Sudeste. Embora as condições sejam favoráveis para culturas irrigadas, como a cafeicultura e hortaliças, a demanda hídrica elevada exigirá uma gestão eficiente dos recursos disponíveis para evitar desabastecimento.

O Inmet reforça que, apesar das variações regionais, o monitoramento contínuo das condições meteorológicas é essencial para a tomada de decisão no campo. O planejamento estratégico, considerando as janelas operacionais de colheita e o controle de pragas, permanece como o principal aliado do produtor rural diante das instabilidades climáticas previstas para os próximos meses.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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